REVISTA ELETRÔNICA DA BIBLIOTECA VIRTUAL CONSUELO PONDÉ – N.1 JUL DE 2015. ISSN 2525-295X

ARTIGOS


 

FESTA DO DOIS DE JULHO DE CAETITÉ

FESTA O SERTÃO E A INDEPENDÊNCIA DA BAHIA

 

André Luiz Gomes Koehne

 

 

Quando o major Francisco Morais registrou em fotografia a festa do 2 de Julho no “Largo do Alegre”[1] na década de 1920, a cidade de Caetité tinha já festejado seu centenário de emancipação e há muito comemorava a data cívica mais importante da Bahia.

 

A “Independência da Bahia” foi fruto de uma luta contra os colonizadores que uniu num sentimento de nacionalidade todo o povo, que tinha por inimigos os “marotos” portugueses.[2] O que poucos sabem é que estes fatos também tiveram profundas consequências no longínquo sertão.[3]

 

Além do civismo e da tradição, portanto, outros fatos marcam a origem desta comemoração na bicentenária cidade de Caetité, e sua permanência no século XXI.

 

 

Origens e importância da festa

 

Emancipada a 5 de abril de 1810, com o nome de Vila Nova do Príncipe e Santana do Caiteté, a cidade era uma das poucas divisões administrativas municipais da Bahia no começo do século XIX.[4] Seu território, então, compreendia uma faixa de terra tão extensa que abarcava as atuais 48 cidades, de Guanambi até Itapetinga; das fronteiras de Minas Gerais às da então Vila do Rio de Contas.

 

Quando os baianos se insurgiram, em 1821, contra o chefe militar lusitano Madeira de Melo, Salvador tornou-se uma praça de guerra e os partidários da independência esvaziaram a capital e constituíram um governo alternativo na Vila de Cachoeira. Embora o teatro desse confronto fosse o Recôncavo, todas as vilas manifestaram apoio à causa, já então chamada de “brasileira”, e grandes nomes da história despontavam, como o advogado, “pai” da Ordem dos Advogados, Francisco Acaiaba Gê de Montezuma, o major José Antônio da Silva Castro, Miguel Calmon Du Pin, entre tantos outros nomes que se tornaram famosos até mesmo nacionalmente.

 

Registra Pedro Celestino da Silva: “A Câmara Municipal da Vila de Caetité foi a do sertão da Bahia que, em primeiro lugar, aderiu à causa da independência e a que mandou a primeira comissão apresentar seus votos de amor, obediência e fidelidade a D. Pedro I”.[5]

 

Durante as lutas, expedira José Bonifácio o seguinte comunicado para a cidade:[6]

 

AVISO DE 5 DE DEZEMBRO DE 1822

Convindo muito que nas provincias deste Império se estabeleça e conserve hum só centro de união e de força para se manter a uniformidade do Governo nos differentes ramos de administração publica: manda Sua Magestade o Imperador pela Secretaria do Estado dos Negócios do Império, que a Villa Nova do Príncipe, de Santa Anna de Caetité, e as outras da Comarca da Jacobina se unam, quanto antes, ao Governo estabelecido na villa da Cachoeira, emquanto o mesmo Augusto Senhor, sobre este objecto, não ordenar o contrario.

E ha por bem Sua Magestade Imperial agradecer e louvar a Camara da mesma Villa de Caetité, e as outras que adheriram á sagrada causa do Império Brazilico, entre as quaes foram as primeiras, o seu zelo e promptidão, em mandar seus enviados, José António Gomes e o Padre José de Sousa Lima, para, em nome da Camara de Caetité, lhe dirigirem os puros votos da sua felicidade, obediência, amor e patriotismo.

Palácio do Rio de Janeiro, em 5 de Dezembro de 1822 — José Bonifácio de Andrada e Silva.

 

Os vereadores assinaram a Ata de Aclamação no dia 15 de agosto de 1822.[7] Afora os registros oficiais, com o prosseguimento das lutas na capital, as coisas no sertão não eram, todavia, calmas. Inúmeros portugueses aqui residiam e mantinham-se fieis às suas raízes europeias. Isso gerou, anos depois, as lutas que se agigantaram em Rio de Contas e Caetité, e foram conhecidas por Mata-Marotos: também o sertão dava sua quota de sangue pelo sentimento da nacionalidade brasileira.[8]

 

A este respeito registrou Argemiro Ribeiro:

 

De fato, a dissolução do Império luso-brasileiro requisitou dos contingentes populacionais dessa região, especialmente das vilas de Rio de Contas e Caetité, o envio de homens, auxílio financeiro, munições, armas, víveres e produtos agrícolas para o Recôncavo baiano em guerra. Por outro lado, propiciou que parte dos seus habitantes exacerbasse a prática da violência, enquanto instrumento político e elemento desestabilizador da ordem social-escravista até então vigente. Desassossego público, insegurança e ressentimentos particulares foram alguns dos componentes presentes no cotidiano de portugueses e homens da terra que, naquele momento, intensificaram suas disputas em torno do poder institucional, não se eximindo, no entanto, de tecer alianças e adotar as práticas do mundo da desordem, matizadas pela farta utilização de recursos violentos empregados contra oponentes reais ou possíveis.

 

O já citado major Silva Castro, um dos maiores combatentes e grande liderança amada pelo povo recebe, após a vitória brasileira, um “castigo” que se lhe tornou prêmio: é mandado para o sertão de Caetité e Monte Alto (então mero povoado pertencente à Vila de Urubu), como um “exílio”, capaz de afastá-lo de uma vez do proscênio das disputas políticas da Capital. Conhecido pelo apelido que lhe deram os inimigos portugueses de Periquitão,[9] foi a maior autoridade nestas terras, havendo se casado com Joana São João – a quem cabia a herança de cuidar dos bens da Casa da Ponte. Silva Castro teve um neto “razoavelmente” famoso: o poeta Antônio de Castro Alves, e foi no sertão caetiteense que sua filha Pórcia protagonizou um dos maiores dramas românticos do Brasil, relembrado por Jorge Amado, retratado por Afrânio Peixoto e revivido pelo historiador Dário Cotrim.[10]

 

No século XIX, a cidade, que surgiu como uma ilha de cultura, improvisava um teatro na sua principal praça, batizando-lhe de “Teatro 2 de Julho”. No mesmo lugar deste, em 1922 inaugurou-se na cidade o Theatro Centenário, comemorando o 7 de setembro de cem anos antes; durante sua inauguração proferiu ali um longo discurso o então promotor de Justiça local, Dr. Abílio Bensabath. Este discurso foi publicado numa almanaque comemorativo, em Salvador, que foi replicado no ano seguinte, pela passagem dos cem anos do 2 de Julho.[11]

 

Além do “Periquitão”, que deixou vasta descendência na cidade, no vizinho povoado de Livramento de Nossa Senhora, então ainda pertencente a Rio de Contas, estabeleceu-se já velho o José de Aquino Tanajura, outro herói das lutas emancipacionistas, morando ali seu filho homônimo que legou vastíssima descendência, ramos da qual também indo viver em Caetité.[12]

 

Desfile 2 de Julho em Caetité, com a “Garça de Idalino” e Marujada, 1963 (acervo particular da família de Idalino Barberino).

 

 

Caetité em festa pela Bahia

 

Por tudo isto, não é de estranhar que a cidade interiorana, tão distante da capital, mantenha acesa a chama que revive a cada ano a alegria de termos um país emancipado. Mesmo que as razões inda fiquem, muitas vezes, desconhecidas.

 

Já no século XIX uma comissão formada por cidadãos influentes cuidava de organizar o cortejo. Durante o ano a comemoração ia sendo planejada até culminar no cortejo que percorria as ruas principais – passando pela via que ainda hoje mantém o nome de Rua 2 de Julho. Cortejo essencialmente a pé, mas já contando com a cavalaria.

 

Registra a memorialista Marieta Lobão Gumes:[13]

 

Os preparativos para os grandes festejos do “2 de Julho” eram planejados e organizados por uma Comissão composta por diversos cidadãos caetiteenses e que, com grande antecedência, se punha em atividade, arrecadando fundos, promovendo a sua divulgação através da imprensa, mantendo o necessário contato com as autoridades locais, no sentido de conseguir subvenções que fizessem frente as inarredáveis despesas para a consecução do programa de comemorações.

 

Dentre as pessoas influentes e que se dedicariam inteiramente a colaborar para que as comemorações tivessem o brilho e o arremate consentâneos com a importância que se atribuía a essa data cívica, distinguia-se o Capitão João Antônio de Cerqueira, advogado provisionado, alto comerciante, homem dinâmico, muito estimado e de grande poder de comunicação e que se dispunha, entre outras providências de que se encarregava, a de promover um “espetáculo de gala” onde seria encenada uma peça teatral de renome (geralmente de sabor patriótico), com que se encerrariam os grandes festejos do 2 de Julho.

 

Com a reinstalação da Escola Normal em 1926, o evento cívico passou a contar com a comunidade escolar. A festa popular tinha, assim, o Estado participante – bem diferente, por exemplo, do que vemos com o 7 de setembro, onde a situação era inversa.

 

A cada ano, um elemento era adicionado, outro esquecido; foi assim que, nos anos de 1960, apareceu a garça de “Seu” Idalino, antecedendo os caboclos (elemento que realçava o caráter de brasilidade da festa) e a marujada. Essa “garça” era uma espécie de “burrinha” sui generis: seu pescoço, feito com um cipó colhido nas matas vizinhas à cidade, quando puxado e solto simulava a ave dando bicadas: um elemento picaresco em meio à seriedade das lembranças de tantos mártires.

 

Na Marujada, toda ela formada por elementos populares, tínhamos o comando de homens do povo como “Seu” Inocêncio, Júlio Potó, Manoel Bom-Nariz e Teodoro, parente deste. Além destes, estavam lá Gasparino da Ladeira e Bernardino, nomes quase esquecidos.

 

Com a ditadura militar, curiosamente, a “bandeira do dois de julho” foi “enterrada”: por vários anos Caetité não comemorou a data máxima da Bahia. Isto porque de há muito os festejos não se faziam por meio de uma comissão, mas pelos “festeiros” – seguindo a mesma fórmula das comemorações católicas. Em geral, o festeiro era, também, o próprio diretor da Escola Normal – e depois do Instituto de Educação Anísio Teixeira, que sucedera aquela instituição no início da década de 1950 – como foram as professoras Eponina Zita dos Santos Gumes e Idalina Vieira Cardoso. Consta que o professor Antônio de Meirelles, por motivos políticos, se recusara a passar a bandeira a um sucessor, selando assim o final da tradição.

 

A partir deste renascimento, os cavalos passaram a ser o cerne dos desfiles, que sempre têm início na noite do dia primeiro de julho, quando se leva o Carro da Cabocla até o local onde ficava a Pedra do Conselho, lugar em que se reuniram os vereadores para proclamar sua brasilidade, em 1821.

 

Em dois anos, porém, não houve a festa: 1976, por conta da seca, e 2003 quando a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia – ADAB, o interditou a pretexto de conter uma zoonose. Em 2008 uma lei municipal transferiu à Secretaria de Educação o papel de organizar o cortejo – medida esta que, pela primeira vez na história, alterou a origem eminentemente popular da comemoração. Mas que não conseguiu, como se verificou nas festas de 2009 e seguintes, diminuir a participação e iniciativa do povo caetiteense e da região.

 

Sobre a importância desta data para a cidade registrou, ainda em 1998, o último caetiteense a se projetar no cenário político baiano como deputado estadual, Paulo Jackson Vilasboas: “(…) pensamos refletir o sentimento dos baianos que se preocupam em honrar a memória e as lutas do povo. Caetité, minha terra natal, é hoje uma das poucas cidades da Bahia a manter viva a lembrança do 2 de Julho. Ali a data é festejada com brilho! Uma tradição em sintonia com todos que defendem a preservação de nossa memória (…)” (grifo original).[14]

 

Festa muitas vezes memorável, como a que nos anos 1980 trouxe Waldick Soriano para apresentar-se em praça pública, show que marcou a paz entre a cidade natal e o cantor, e deste com Luiz Otto Rodrigues Lima Koehne que, contam, fora o responsável pela saída dele da terra natal; o retorno foi promovido por um dos maiores entusiastas desta comemoração, o prematuramente falecido Dr. Jairo Francisco Ramos Pontes.

 

Desde 2010 além da festa cívica em si, a Secretaria Municipal de Educação inseriu um tema a ser abordado. Em 2012 comemorou-se o centenário de nascimento de Jorge Amado, por exemplo, e um novo elemento foi acrescentado, repetindo-se nos anos seguintes: as comunidades quilombolas de Caetité participaram pela primeira vez do desfile.

 

Carro ornamentado trazendo a mártir Joana Angélica, c. 1975 (autor desconhecido)

 

 

Conformação do festejo

 

Em 2015 estão registrados para desfilar no cortejo caetiteense 31 grupos de montaria. Um dos elementos “novos” na festa são estes grupos, entretanto, que mantém acesa a participação popular, reunindo milhares de cavaleiros e amazonas.

 

A festa possui alguns elementos imutáveis. Alguns dias antes do dia 2, ainda em junho, é hasteada na frente da Catedral de Senhora Santana a Bandeira do Brasil Império, que simboliza a fidelidade da Vila à causa da Independência.

 

Ao menos três “ensaios” são adrede realizados, durante o mês de junho, em que o festeiro – no caso o prefeito Municipal desde 2008 – segue à frente com a bandeira do Brasil Império.

 

No noite do dia primeiro ocorre grande desfile onde um ricamente ornado carro alegórico com a “cabocla” matando um dragão (figura que, alegoricamente, simboliza a tirania colonial) desfila pelas ruas principais, sendo levado até a chamada “Pedra do Conselho”, situado diante do Cemitério Municipal. Ali o carro da Cabocla pernoita.

 

No dia seguinte ocorre o grande desfile com diversas alegorias, bandas, fanfarras que, repetindo o trajeto da noite anterior, vai à Pedra do Conselho para buscar a Cabocla. Juntos, retornam finalmente triunfantes para a Praça da Catedral, onde um Te Deum, missa campal celebrada em latim, encerra as festas pela vitória baiana do 2 de Julho de 1823.

 

Uma festa cívica, do povo, que sobrevive em Caetité, lembrando que também no sertão se faz a identidade baiana.

 

Carro alegórico representando Joana Angélica e o palanque com autoridades, 2012 (Autor: Manoelino Araújo).

 

André Koehne é bacharel em Direito pela Ufba e autor de biografia do educador conterrâneo, Anísio Teixeira, intitulada “Anísio para Caetité”.

 

 

BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, Norma Silveira Castro de. TANAJURA, Amanda Rodrigues Lima. “José Antônio da Silva Castro – O Periquitão”, Salvador, EGBA, 2004.

AMARAL, Braz do. “História da Independência na Bahia”, Livraria Progresso Editora, Salvador, 1957, 2ª ed.

CALASANS, José. Et al. “Aspectos do 2 de Julho”, Salvador, Secretaria de Educação e Cultura, 1973.

MENDES, Bartolomeu de Jesus. “A Festa do Dois de Julho em Caetité – do cívico ao popular”, Caetité, Gráfica Castro, 2002.

SILVA, José Bonifácio de Andrada e. in: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Typographia e Encadernação do Diário da Bahia, Salvador, março de 1895, ano II, vol. II, nº 3

TAVARES, Luís Henrique Dias. “História da Bahia”, Edufba, Salvador, 10ª ed, 2006, p. 253 e seg.

 

 

 


 

[1] Atual Praça Rodrigues Lima, chamada popularmente de “Feira Velha” – o Largo do Alegre foi onde o Coronel Cazuzinha (José Antônio Rodrigues Lima) fez erguer o Mercado Público Municipal, bela construção hoje inexistente que se vê à direita da imagem.

[2] “Maroto” – marujo ou marinheiro – era o termo usado pejorativamente para chamar os portugueses residentes no Brasil, pelo fato de obrigatoriamente terem que atravessar o mar para chegar ao Novo Mundo.

[3] Souza Filho, Argemiro Ribeiro de. “A Guerra de Independência na Bahia: manifestações políticas e violências na formação do Estado Nacional (Rio de Contas e Caetité)”, dissertação de mestrado em História, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, 2003.

[4] Muitos confundem os conceitos atuais de vila e de cidade. As vilas eram, àquele tempo, as unidades municipais. Com “status” de cidade, na Bahia, somente Salvador. As demais vilas eram: Urubu, Rio de Contas, Barra do Rio de Contas, Ilhéus, Cachoeira, Jacobina, Porto Seguro, Cairu, Camamu, Jaguaripe, Sergipe, Caravelas, Maragogipe, Santo Amaro, Itapicuru, Barra do Rio Grande, Prado, Alcobaça, Vila Viçosa, Abrantes, Nova Soure, Pombal, Santarém, Vila Verde, Trancoso, Maraú, Belmonte, Olivença, São José do Porto Alegre, Bonfim, Valença, Inhambupe, Itapicuru, Boipeba e a recém-instalada Campo Largo. Trinta e oito ao todo.

[5] Silva, Pedro Celestino da. Noticias Historicas e Geographicas do Municipio de Caetité, in: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Escola de A. Artífices da Bahia, Salvador, nº 58, 1932, p. 218.

[6] In: a Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Typographia e Encadernação do Diário da Bahia, Salvador, março de 1895, ano II, vol. II, nº 3.

[7] Interessante notar que muitos dos sobrenomes permanecem, na Caetité de hoje. Foram eles: Jorge da Silveira Machado, Angelo Custódio Vilasboas, Ricardo Lourenço de Almeida e Teotônio Gomes de Azevedo. Procurador Domingos Constantino da Silva e escrivão Pedro da Silva Pimentel.

[8] Tavares, Luís Henrique Dias. “Independência do Brasil na Bahia”, Edufba, Salvador, 2005, p.81-109

__ “História da Bahia”, Edufba, Salvador, 10ª ed, 2006, p. 253 e seg.

Santos, Helena Lima. “Caetité: ‘Pequenina e Ilustre’”, Tribuna do Sertão, Brumado, 1996, 2ª ed,

Cotrim, Dário Teixeira. “O Idílio de Pórcia e Leolino”, Papel Bom, Guanambi, 2005.

O historiador Dias Tavares, embora aparentado pelo lado materno com o caetiteense Nestor Duarte Guimarães, traça um quadro do Mata-Maroto como fenômeno do Recôncavo. Helena Lima e Dário Cotrim, entretanto, sobretudo este último, resgatam a importância dessas lutas sertanejas. É a “síndrome do caranguejo” de nossa historiografia, talvez herança dos portugueses, que insiste em ver apenas o litoral do Brasil.

[9] O apelido era pejorativo na origem, e vem da cor da farda do batalhão que comandou: era verde, como a ave brasileira periquito – num tempo em que as cores dos exércitos eram o vermelho e o azul. Entre seus comandados estava a heroica “Joana D’arc” brasileira – Maria Quitéria de Jesus (o “soldado Medeiros”). Embora pejorativo, foi assumido com orgulho por todos seus integrantes.

[10] Peixoto, Afrânio. Sinhazinha, Rio de Janeiro, Ediouro, s/d. p. 47-52.

Cotrim, Dário, op. cit., p. 37-72.

Amado, Jorge. ABC de Castro Alves, São Paulo, Companhia da Letras, 2010, p. 17 e seg.

[11] Bensabath, Abílio. Discurso de Inauguração do Theatro Centenário de Caetité, in: Revista Civica, Edição Especial Rememorativa do 1º Centenário do 2 de Julho e Commemorativo do 7 de Setembro, Anno XVIII, Bahia, 7 de setembro de 1923/Números 46-bis e 47.

[12] Tanajura, Mozart. História de Livramento – a terra e o homem. Secult, Salvador, 2003

[13] Gumes, Marieta Lobão. Caetité e o Clã dos Neves. Mensageiro da Fé, Salvador, 1975, p. 76.

[14] Vilasboas, Paulo Jackson, “2 de Julho – O Verdadeiro Grito de Independência”, disponível em: www.paulojackson.com.br. Acesso em 22 de janeiro de 2001, às 14:30 h.

(este era o site de campanha do então candidato à reeleição, que continuou na internet por algum tempo após seu falecimento, em acidente automobilístico no ano 2000.)