REVISTA ELETRÔNICA DA BIBLIOTECA VIRTUAL CONSUELO PONDÉ – N.5 FEV DE 2017. ISSN 2525-295X

ARTIGO

 

A EXPRESSÃO DO LÚDICO NUMA COMUNIDADE NEGRA RURAL DA BAHIA: O GRUPO CULTURAL ARGUIDÁ

 

 

 

Marcus Vinicius Araújo Ávila1

Lívia Fialho Costa2

 

 

imagem1Desenho: Marcos Vinícius, 2014: o Vale do Tombador II do Jiquiriçá, Diário de Campo.

 

Balança Povo

 

“Balança povo

o Arguidá já vem

Quem vem na frente são duas penêras

Tá muito quente tira o fogo fora

É manuá, não é torradêra”

(Grupo Arguidá)*

 

 

Este texto traz informações sobre elementos do quotidiano de uma comunidade negra que estudamos entre 2014 e 2015, situada na zona rural de Valença, no Vale do Jiquiriçá, distando 28 km do centro do município e 128 km da capital do estado da Bahia. Trata-se da Comunidade do Tombador II do Jiquiriçá, considerada território remanescente de quilombo, terra de pretos, território negro ou mocambo, por sua condição de coletividade camponesa, definida pelo compartilhamento de um território para a produção de sentidos e modos de existir.

 

Os dados foram coletados ao longo dos noventa dias de permanência na localidade, entre os meses de janeiro e abril de 2015, somando 453 horas de observação participante, durante a qual buscamos escutar as diferentes formas de expressão, posteriormente sistematizadas em categorias analíticas no diário de campo. Foi naquela localidade que, por volta dos anos 1960, foi criado o “Grupo Folclórico Arguidá”, de grande expressão na região. O contato com o grupo cultural “Arguidá”, sobretudo com os moradores da localidade – praticamente todos relacionados de algum modo com este produto cultural – nos revelou a importância da manifestação cultural na produção de sentidos coletivos que unem as pessoas através de um sentimento comunitário e de pertencimento.

 

A manifestação e seus preparativos representam para a comunidade um elemento identitário importante, além de ser a expressão da festa e da alegria que caracterizam o jeito brincante ou lúdico dos moradores da região, os quais chamamos de “povo do Arguidá”. A partir dos anos 1990, uma série de pesquisas toma como objeto principal ou como sujeitos de pesquisa as comunidades negras rurais, também denominadas, em alguns estudos, de comunidades de quilombo. Esta pesquisa segue este interesse de estudos, sendo que o recorte fundamental trata da inter-relação entre o modo de viver, a corporeidade e a ludicidade. O objetivo deste trabalho é, então, mostrar como esse grupo cultural representa o elemento de elo entre a população local através da ludicidade, aqui entendida como “alegria de viver”. Como fruto de uma pesquisa de inspiração etnográfica, este artigo traz dados empíricos para a compreensão desta realidade privilegiando categorias êmicas construídas a partir de narrativas e depoimentos dos moradores da região.

 

Na primeira parte do texto, elencamos e descrevemos alguns elementos do quotidiano relevantes para a compreensão dos “modos de viver” desta comunidade, cuja expressão lúdico-festiva reúne muitos moradores do Tombador II nas apresentações do grupo cultural Arguidá: os modos de morar, de organizar a casa, de realizar o trabalho coletivo, de falar sobre o parentesco, assim como os jogos de linguagem, foram elementos que se sobressaíram durante a etapa da observação participante. As questões que orientavam a observação eram: como vivem o dia-a-dia da casa e do trabalho os participantes do Arguidá? De que maneira o modo de viver está refletido na organização da manifestação cultural? Como é optar por viver da produção agrícola, no meio da mata atlântica, numa localidade tão distante da sede do município ou de outros vilarejos, seguindo na contramão da tradição marisqueira e pesqueira da região?

 

Assim, foram realizadas observações em diversos momentos do dia, em diferentes dias da semana e durante caminhadas e trajetos de carros coletivos que transportam a população até a localidade.3 Por sugestão dos membros da comunidade, todos os nomes citados neste artigo correspondem aos nomes reais dos entrevistados e as imagens dos sujeitos foram autorizadas pelos mesmos para divulgação e veiculação pública. Assim, atendendo às exigências éticas de uma pesquisa, o direito de imagem e a utilização dos nomes reais estão amparados no termo de consentimento livre e esclarecido, assinado ou gravado por todos os sujeitos durante a coleta dos dados.

 

 

COMPRENDENDO O MOCAMBO E O POVO DO ARGUIDÁ

 

 

O Vale do Jiquiriçá, na sua porção Valenciana, fica à margem sul do rio que leva o mesmo nome. Para se chegar às comunidades estudadas há, apenas, dois meios de transporte público, um ônibus de linha que sai do centro de Valença às 5:00h e retorna às 16:00h, ou de caminhão, nos famosos paus-de-arara, que funcionam nos dias de feira, às sextas e aos sábados, saindo do Vale às 6:00h e regressando geralmente às 13:00h. O trajeto é bastante acidentado, uma estrada de barro bastante rudimentar. A paisagem natural da mata atlântica embeleza a viagem.

 

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A principal via de acesso é a Estrada do Jiquiriçá, que começa na BA 001, às margens do rio Sonrisal, a aproximadamente 9 km do centro da cidade. A partir da entrada são cerca de 18 km para a comunidade de Bernardo de Lapa e, a partir dali, mais 6 km para a comunidade do Tombador II, passando pelas localidades em ordem: Sonrisal, Clube do Roldão, Fazenda Santo Expedito, Gringo, Ladeira Grande, Moleque, Cascalheira de Marinalva, Reserva da Água Branca, Cascalheira da Casa de Farinha, Tombador I, Bernardo de Lapa e por fim Tombador II. Os moradores da região usam comumente bicicletas, motocicletas, carros particulares, mas também animais de montaria para deslocamentos internos e em direção à zona urbana.

 

Dona Damiana é a pessoa mais velha da comunidade. Quando indagada sobre a origem da comunidade e a extensão das terras que corresponde ao espaço limite da comunidade, responde unicamente afirmando: “Família. É tudo família. Passou de pai pra filho e assim foi!” (Gravado em 12/09/2014). A demarcação de espaço não parece ser tão importante para os sujeitos desta pesquisa: a população e suas relações de parentesco e afetividade determinaram a demarcação de um espaço aparentemente abstrato, porém claramente concreto para os moradores das comunidades que participam da mesma família.

 

O povo do Arguidá vive entre dois espaços conhecidos como Tombador II e Bernardo de Lapa e muitos residem, por terem se mudado, num bairro conhecido como um quilombo urbano chamado de Jacaré, situado na entrada da zona urbana do município de Valença, às margens da rodovia BA 001. Seu nome provavelmente tem relação com os charcos e córregos que margeiam todo o bairro, o qual costumava sofrer alagamentos devido à vegetação de manguezal e, até os dias atuais, muitas casas estão sobre espécies de palafitas, enquanto outras ficam abaixo do nível da rua. (Informações coletadas com líder do Grupo Cultural Arguidá em 16 de outubro de 2015).

 

As terras que pertencem a essa família incluem as duas comunidades; antes pertenciam à falecida dona Maria Delvira Serenília, mais conhecida como dona Serena, mãe de dona Damiana. O nome Tombador II advém da exploração das madeiras nativas da região, usadas comumente tanto para fazer móveis como também para a fabricação dos famosos saveiros dos estaleiros tradicionais do município de Valença. As árvores eram cortadas e tombadas morro abaixo. Os tombadores eram os morros que mais tinham essas árvores para extração de madeira. Na região existe o Tombador I e, logo depois, outro relevo chamado de Tombador II.

 

Compreendemos que a maioria dos agrupamentos negros do Jiquiriçá tem origens diversas; a representação de quilombo como sujeitos (guerreiros) isolados muitas vezes não se aplica às comunidades que, historicamente, mantiveram contatos com as cidades e vilas vizinhas. A compreensão do que seja quilombo deve também ampliar-se, vez que não serve para determinar ou delimitar um território, já que em sua origem banto ressalta antes os laços que unem os guerreiros, mais do que a terra onde estes são fixados. Na região do Tombador II existem aproximadamente 28 casas, todas pertencentes ao mesmo núcleo familiar, definido por eles a partir da matriarca, dona Damiana, proprietária de todos os terrenos que foram passados para seus filhos e netos. As casas distam umas das outras às vezes uns 3 a 4 quilômetros, ligadas pela estrada de barro ou pelos caminhos no mato. A maioria delas rebocada na frente e com tijolos de argila aparentes nas laterais e nos fundos. Algumas são de taipa ou sapê, porém todas pintadas em tons de rosa, verde, azul ou amarelo. (Fragmento do Diário de Campo).

 

 

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Varandinha da casa azul e amarela. Registro realizado durante a pesquisa de campo. Foto: Marcus Vinícius, 2015.

 

Na frente das casas quase sempre há uma pequena varanda com algumas cadeiras, bancos ou um sofá convidativo para um descanso após o almoço, ver a paisagem, enquanto se leva um “dedo de prosa” com os moradores ou passantes. Todas as casas são sem lajes e, internamente, suas divisões são meias paredes; a sala logo na entrada e uma cozinha ao fundo sempre muito limpa e arrumada. Nas salas arrumadas com esmero, encontramos uma TV numa estante ou rack, um rádio ou aparelho de som ao lado. Tudo bastante colorido, decoração onde prevalecem vasos, flores, velas, imagens de santos católicos num pequeno altar, quadros nas paredes com representação de santos ou mesmo um calendário com imagem de santos. A maioria das imagens estampam Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida ou de Santa Luzia. Cortinas de tecidos coloridos fazem as vezes de portas entre os cômodos.

 

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A estética do interior das casas incorpora, em sua maioria, uma sobreposição de objetos, forros, papéis diversos, dando uma impressão de falta de organização a quem chega de coração fechado. Aos poucos o visitante desavisado vai compreendendo que a arrumação das casas comporta uma linguagem provavelmente herdada dos antepassados. Cada objeto exposto tem uma história que justifica o lugar que ocupa, central ou periférico na sala. Da ausência de um desejo de controle do mundo em sua volta, os moradores da comunidade vão compondo uma organização onde as coisas, os móveis, as plantas, as crianças podem simplesmente estar: uma decoração denotando uma perspectiva plural de incorporação da diversidade e da alegria no quotidiano.

 

 

imagem5 Estética da sobreposição numa sala de estar. Fonte: Registro realizado durante a pesquisa de campo.

 

 

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Parte da cozinha. Fonte: Registro realizado durante a pesquisa de campo.

 

A maioria das casas tem uma cozinha bem organizada localizada no interior da residência e uma outra, de uso efetivo, localizada na parte de fora, aos fundos, onde realmente são cozidas as refeições num fogão de lenha improvisado ou construído de alvenaria. No quintal criam-se galinhas, porcos de raças grandes e pequenas e animais de estimação, como pássaros locais presos em gaiolas, cachorros e gatos. Os terrenos das casas são relativamente grandes, como roças, como eles denominam; há ali, em muitos casos, criação de cavalos, bois e vacas.

A casa de farinha é comunitária, mas alguns moradores construíram a sua própria casa de farinha. Todas, atualmente, são equipadas de máquinas que ajudam na torra e no processamento da mandioca.

 

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Casa de farinha coletiva. Raspagem da mandioca. Registro realizado durante a pesquisa de campo. Foto: Marcus Vinicius (2015).

 

 

Os moradores do Tombador II e de Bernardo de Lapa são basicamente todos da mesma família, descendentes dos avós de dona Damiana, que eram filhos de ex-escravos, segundo ela mesma. Atualmente existem cerca de 150 pessoas descendentes de dona Damiana, considerando a população flutuante, que vive fora da comunidade, mas que participa ativamente do que intitulamos “o povo do Arguidá”, ou seja, aqueles que estão de alguma forma relacionados direta ou indiretamente ao grupo cultural. No momento da pesquisa, em média 30 pessoas participavam ativamente do grupo cultural Arguidá, todos ligados à mesma família e a dona Damiana. Perguntados sobre o número de habitantes na localidade, os moradores responderam diversas vezes com a expressão “meio mundo de gente”, onde eles incluem um contingente de parentes consanguíneos, filhos de criação, pessoas em uniões concomitantes.

 

A maioria da população é formada por trabalhadores rurais, porém alguns homens desempenham outras funções, tais como dirigir caminhões de transporte, realizar serviços de caseiro em sítios e fazendas de “estran” e trabalhar nas escolas da região como porteiros ou em funções de serviços gerais. Os homens e as mulheres, no geral, trabalham na terra, plantando e colhendo mandioca. O cultivo e corte do dendê é uma atividade exclusivamente masculina. As mulheres colhem e preparam o extrato de urucum, descascam a mandioca e a preparam para moer. São elas também que dão conta das tarefas domésticas, como limpar a casa, cuidar das roupas e preparar as refeições. As crianças estão igualmente sob os cuidados das mulheres. A maioria da população é de católicos e a missa ocorre uma vez por mês no prédio da Associação de Produtores onde funciona uma escola municipal na comunidade de Bernardo de Lapa. Apesar da referência local à tradição católica, em algumas casas vemos imagens de São Cosme e São Damião ornadas com velas coloridas e pratinhos com balas; em outras casas há muitas espadas de ogum plantadas no quintal ou próximas à entrada principal, o que indica uma referência também a saberes e práticas oriundos de cultos afro-brasileiros. De fato, existe uma atmosfera de tradições religiosas africanas que durante a etnografia ficou ainda mais evidente como crenças e cultos a orixás e inquices, tanto nas atividades de rezadeiras e benzedeiras, como nos remédios fitoterápicos tradicionais, garrafadas e simpatias.

 

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O transporte do urucum. Fonte: acervo dos autores.

O GRUPO CULTURAL ARGUIDÁ

 

A palavra “arguidá” é uma variação linguística da palavra alguidar, uma vasilha circular de barro, no formato de um grande prato. Uma versão maior deste utensílio é usada nas casas de farinhas no processo de torra. O vale do Jiquiriçá tem diversas comunidades negras rurais, formadas por descendentes de ex-escravos que trabalham com o cultivo e beneficiamento da mandioca, especialmente para a produção da farinha de mandioca ou farinha de guerra.4 Como na região do Jiquiriçá não havia olarias, as comunidades produtoras de farinha seguiam por caminhos entre a mata atlântica por mais de 40 km até chegar às olarias da região de Najé, Maragopipe e Maragojipinho em busca de um grande Alguidar para colocar em cima de um grande forno de lenha para torrar a farinha. O retorno devia ser especialmente penoso devido ao peso do utensílio, porém as pessoas vinham cantando, sambando pela mata até chegar às comunidades de origem depois de dias. Ao chegar ao destino intacto, o alguidar era festejado por todos numa roda de samba. O poeta valenciano Otávio Mota confere um sentido eucarístico para o alguidar, fazendo uma relação com o pão que garante o sustento, a farinha representa o sustento, a sobrevivência, sobretudo a resistência desse povo.

 

A manifestação cultural existia, portanto, como parte da busca por um novo utensílio quando o alguidar rachava ou quebrava. Porém, como uma recriação da realidade, atribuindo um sentido estritamente lúdico, essa manifestação surgiu através dos esforços dos moradores do Tombador II do Jiquiriçá para a organização de uma caminhada, em festa, com vários participantes, homens e mulheres vestidos com roupas coloridas; um samba ou uma brincadeira que parece ter surgido no final da década de 1960. Como explica Dona Damiana, uma das fundadoras do grupo: “E o Arguidá foi principiado em samba. De samba nós formemo a camiada. E a caminhada nós todo mundo tamo lutando de botá ele pra frente(…)”.

 

Seu Paulino nos conta sobre o início do grupo e as dificuldades:

 

Eu acho que eles acha, Marco, porque esse grupo foi montado com a gente aqui na roça, eles hoje acha que a gente sâmo assim, tipo assim, e caso, bestalhado, aí eles não dá aquela oportunidade a gente, aquele valor. É aqueles bobo lá, e a gente que fica por lá. Vamos dizer, chamar a gente até de roceiros, que nem antigamente, o povo chamava. E aí a gente montou aqui com pandeiro de couro de jiboia, com tambor de coro de jibóia. E depois a gente lutou, comprou timbau, comprou pandeiro, pandeiro de Santo Antônio, tudo, comprou fita, comprou tudo. Mas de primeiro, o Arguidá a gente começou com uma caixa de papelão, uma caixa de papelão, a gente fez assim aquele negocio redondo e marrou, entende? E hoje tem o Arguidá de fibra todo infeitchadinho, Você já viu já ele? Então fica todo bunitinho, mas a gente começou com o couro de jibóia, pandeiro de couro de jibóia, pandeiro, tamborim e aí timbum, timbum! Então, começou com isso ai e até iji. Mas, a gente adora tanto o Arguidá, que a gente não deixa de jeito ninhum. (Trecho de uma roda de conversa gravado em 09 de maio de 2015).

 

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Apresentação do grupo Arguidá. Foto: Marcus Vinícius, 2015.

 

 

 

 

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Apresentação do grupo Arguidá. Foto: Marcus Vinícius, 2015.

 

Apesar da maior parte das observações terem sido feitas nas comunidades do Tombador II e Bernardo de Lapa do Jiquiriçá, também foram observados espaços ou localidades por onde os sujeitos, o povo do Arguidá, transitam costumeiramente, como a feira do município de Valença, ou outras comunidades rurais fora do Vale de Jiquiriçá, como a Derradeira. Esta comunidade foi visitada pela manifestação do Arguidá durante um encontro de comunidades rurais promovido pelo projeto Seiva, em parceria com a prefeitura Municipal de Valença, realizado em 2015.

 

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Alguidar de fibra ornado com fitas e flores. Fonte: Fotografia do acervo do pesquisador feita na apresentação da comunidade da Derradeira em 06 de setembro de 2015.

 

Apenas na década de 1990, a manifestação cultural assume a configuração de um grupo cultural que surgiu a partir de uma ação em conjunto dos produtores rurais da região em esforços com o poeta Otávio Mota e o professor Isaías Alves de Souza Filho segundo eles numa tentativa de resgatar uma tradição centenária, conforme entrevista gravada com seu João Ariosvaldo, atual líder do grupo Cultural:

 

O que me representa do grupo Arguidá, nosso grupo folclórico, é aquela questão que na época que ele foi fundado o grupo Arguidá foi através do Bernardo Lapa, Damiana e de outros e outros que papai do céu já mandou chamar. É aquela questão, eu não me recordo bem, lembro assim, mas não tenho aquela recordação de como era o grupo Arguidá. Quando eu vim conhecer o grupo Arguidá foi 15 anos depois de tudo isso, que através de Isaías e dona Damiana, a gente conseguiu resgatar esse grupo novamente. Aí que eu vim fazer parte do grupo Arguidá e pra mim foi uma coisa muito interessante, entendeu? Pra mim foi muito interessante, eu me adaptei muito bem com os passos do Arguidá, nos cantos do Arguidá, nos toques dos instrumentos. Entendeu? E pra mim é muito significativo. (entrevista gravada em 10 agosto de 2015)

 

Atualmente conta com cinquenta membros que encenam a busca e o retorno do alguidar de barro nas olarias. Os trajes são sempre muito coloridos, destacando-se na paisagem: os homens de calças largas estilo calça de pescador e camisas com estampas coloridas e um chapéu de palha, as mulheres de saia rodada, uma blusa larga colorida às vezes lenço ou também um chapéu de palha na cabeça, nas mãos adereços como estandartes ou uma peneira de palha enfeitada com fitas coloridas.

 

O grupo sai em duas filas paralelas com mulheres na frente e os homens e a bateria que é exclusivamente masculina atrás. O arguidá é uma recriação de fibra, levado nos ombros de dois homens, amarrado em uma estrutura de madeira e enfeitado com flores e fitas coloridas que dançam entre as duas filas e atrás do puxador, aquele que entoa as músicas e determina o ritmo da bateria.

 

Na frente da caminhada ou marcha vão sempre as mulheres e uma delas como porta estandarte puxando o cordão de samba. Durante a caminhada são feitas evoluções e coreografias. Depois dessa caminhada ao som de cantigas ou cantos de trabalho, eles abrem uma roda de samba. Os instrumentos lembram uma bateria da capoeira angola excluindo o berimbau o gunga e a viola. Os instrumentos mais usados atualmente são os timbais, tamborins e pandeiros.

 

As cantigas, nos primeiros versos, se assemelham a ladainhas; logo em seguida, ao som do pandeiro e dos instrumentos de percussão o samba de roda ou samba duro predominam.

 

 

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Comissão de frente e Porta estandarte. Fonte: Fotografia do acervo do pesquisador feita na apresentação da comunidade da Derradeira em 06 de setembro de 2015

 

 

O LÚDICO COMO PRINCÍPIO CIVILIZATÓRIO

 

 

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O povo do Arguidá vive como se estivesse jogando a todo momento, dentro de uma espécie de cultura do lúdico. A existência do jogo, portanto, é uma confirmação permanente da natureza “supralógica” da condição humana. Se os animais conseguem se expressar ludicamente, brincando, é porque são mais do que simples seres mecânicos sujeitos ao devir. Por outro lado, se nós humanos nos expressamos ludicamente, “brincamos e jogamos, é porque somos mais do que simples seres racionais, pois o jogo é irracional” (HUIZINGA, 2012, p.6). Talvez as metáforas de “jogo de cintura”, ou “gingado baiano”, sirvam para explicitar melhor como essas pessoas conseguem driblar as adversidades da dura realidade de uma comunidade rural esquecida pelos poderes públicos locais e, mesmo assim, celebrando a vida não somente em festas, mas numa alegria quotidiana expressa em sorrisos largos e agradecidos pelo simples fato de desfrutarem das riquezas naturais do Vale de Jiquiriçá. A beleza do Vale é uma referência para os moradores.

 

Durante diversos momentos vivenciados na pesquisa de campo nos deparamos com realidades, situações quotidianas que mostram o quanto o lúdico está incorporado ao modus vivendi do povo do Arguidá. Aspectos da sua linguagem corriqueira nos revelaram termos polissêmicos para determinar grandezas numéricas, trazendo uma relatividade para noções cartesianas de tempo e espaço. Os moradores brincam com as variáveis físicas, abandonando o sistema métrico em função de um sistema linguístico relativo e fluido. Por exemplo: a expressão “logo ali”, pode denotar uma distância pequena como 100 m ou mesmo uma distância de até 12 km ; a expressão “meio mundo de gente” pode representar um grupo de 5 pessoas até centenas, o que determina é a vitalidade e expressão da coletividade. Observamos em campo que o “jogo” inclui situações de manipulação lúdica da linguagem, o que aponta para um jeito muito particular de organizar as orações, deixando propositalmente duplos sentidos, sem a preocupação de expor com objetividade as ideias. O ‘jogo’ está presente na expectativa de que a clareza das orações depende da capacidade do ouvinte de interpretar o que foi dito. Não há, portanto, responsabilidade em ser compreendido, pois o dever de compreender está naquele que ouve. Assim, o jogo só é permitido àqueles que são incluídos por conhecer o sistema linguístico local ou os diversos “jogos”, capacidade adquirida pela convivência ou constante contato com as pessoas da região. Quando se pede explicação sobre algum termo ou piada, os moradores repetem da mesma forma, propositalmente, como se nas entrelinhas afirmassem que a dificuldade de compreensão está justamente nos outsiders que desconhecem os signos e a simbologia local.

 

O jogo também pode manipular imagens, criando uma realidade virtual, porém real, no sentido de existir na experiência de quem a vive, chamada comumente de imaginação; ou seja, a criação de imagens reais numa experiência vivida. Para se entender a expressão lúdica no universo do jogo não se pode focar os olhares no sentido de captar o valor e o significado dessas imagens e dessa ‘imaginação’, pois cairíamos no mistério da subjetividade humana e na presunção em desvendar o enigma da vida. O que é possível se fazer diante do jogo é observá-lo no que tange a sua ação, procurando assim compreendê-lo como fator cultural da vida humana. (HUIZINGA, 2012).

 

A bebida alcoólica tem um papel fundamental na vida do povo do Arguidá: elemento gerador de ludicidade a partir do “jogo” que envolve a alteração da consciência dos que das rodas participam. Quase todas as casas visitadas na região funcionam aos domingos como bares improvisados, servindo, sobretudo, cerveja, cachaça e uma bebida feita com ervas chamada de temperada. Especialmente aos domingos, o consumo de álcool denota a busca por relaxamento e prazer, com o objetivo de se preparar para o duro trabalho com a terra nos dias seguintes. Apesar da fartura etílica, não presenciamos conflitos decorrentes do seu consumo, tampouco brigas, desavenças, mesmo quando as comemorações varam a noite. Seu Paulino demonstra a relação lúdica construída pelo uso de bebidas alcoólicas e como esta alivia as tensões e até as dores físicas:

 

Mas quando eu chego na beira dos meus amigos como eu tava ali (…) aí, aí eu cheguei tomei uma latinha de ceuveja, aí eu já fico, já tô feliz por dentro porque eles chegaram, aí eu tomo uma cervejinha, porque eu não tomo cerveja demais, aí eu bebo uma cervejinha, duas. Que nem cê viu aí ontem. Tomemos aquelas duas cervejinhas, comemos uma carnezinha, assemos, e aí pronto, fiquei feliz. Por isso, que eu fiquei feliz. Porque eu me sinto bem eu tomando uma cervejinha, aí eu fico logo (…), as minhas dores passa e tudo eu num sei por que, num sei se é felicidades dos meus amigos ou por… Pra mim é os dois, é a felicidade dos meus amigos e também a cerveja contém um alcoolzinho também, também. O povo diz que o corpo da gente não pode ficar sem álcool. (Fala de Seu Paulino. Fragmento de Roda de Conversa gravada em 09 de maio de 2015).

 

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Festa na Derradeira. Fonte: Fotografia do acervo do pesquisador feita na apresentação da comunidade da Derradeira em 06 de setembro de 2015

 

A dança faz parte da vida do povo do Arguidá, além dos ritmos da moda, o samba de roda está muito presente entre eles especialmente nas festas. Contudo, sua expressão máxima é encontrada no grupo Arguidá. A expressão lúdica subjetiva reina no gingado do povo no balanço das saias rodadas e das bombachas dos homens. Durante o samba de roda parecem estar em transe, numa manifestação absorvente.

 

Analisando o jogo como um elemento da vida cotidiana, levanta-se o questionamento acerca dos processos de alienação decorrentes das fragmentações impostas pela cultura hegemônica ao universo lúdico tanto no âmbito social como no subjetivo. Segundo Paulo de Salles Oliveira (1997), o lúdico no interior do movimento contraditório que trava a vida cotidiana, pode tanto produzir práticas e imagens reiteradoras das relações de alienação, quanto pode construir criativamente rotas de fuga das imposições do Capital. Dessa maneira, a expressão lúdica do povo do Arguidá caracteriza-se por um elemento de resistência à cultura hegemônica, não como uma rota de fuga, para estes sujeitos, porque simplesmente é assim que vivem.

 

Nas comunidades estudadas não existe um período de férias, nem são considerados os feriados, o trabalho permeia toda a vida rural. Entretanto, muitos só trabalham com aquilo que gostam. Por exemplo, quando os órgãos governamentais, que oferecem apoio ao produtor rural, se propõe ensinar novas formas de plantio da mandioca ou mesmo implantar outra cultura, são praticamente ignorados, pois os produtores das comunidades estudadas parecem não estar dispostos à mudança dos seus hábitos laborais. É o gosto e o resultado tradicional dos meios de cultivo que imperam.

 

Apesar do trabalho duro durante toda a semana, aos domingos existe um momento de tempo-livre. Em muitas entrevistas e nas rodas de conversa alguns revelaram que se divertem trabalhando: o trabalho ganha uma dimensão de convívio e de sociabilidade. Com o tempo pudemos compreender que o trabalho mais exaustivo, como arar a terra com enxadas, nunca representava diversão; todavia, o trabalho nas casas de farinha, por possibilitar uma maior interação entre as pessoas, sempre foi relatado, unanimemente, como um momento de lazer, de diversão e prazer.

 

Segundo Marcuse (1975), a humanidade, na sua busca pela sua expressão lúdica, deve antes solucionar um grande problema político no que tange a libertação do homem das suas condições existenciais inumanas. A experiência estética pode representar uma solução plausível para este problema, pois o impulso lúdico é o veículo para a emancipação humana. Entendemos, então, que o impulso na busca pelo prazer não tem por alvo jogar com alguma coisa, mas está no próprio jogo da vida “para além de carências e compulsões externas a manifestação de uma existência sem medo nem ansiedade e, assim, a manifestação da própria liberdade”.

 

Nessa concepção o homem só é livre quando não está sujeito a coações, externas e internas, físicas e morais quando não é reprimido nem pelas leis, nem por suas necessidades. O autor entende que a coação é a própria realidade impressa nas sociedades regidas pelo Capital, é a própria hegemonia da ideologia da classe dominante expressa pela cultura hegemônica. Assim, stricto sensu “a liberdade é a emancipação de uma realidade estabelecida: o homem está livre quando a realidade perde a sua seriedade e quando a sua necessidade se ilumina” de quem é a citação?. Numa perspectiva de emancipação da existência humana o jogo e o prazer devem substituir o esforço mecânico imposto pelo trabalho, assim o homem estará livre para se exibir em vez de permanecer vergado às suas necessidades (MARCUSE, 1975).

 

É possível dizer que o povo do Arguidá apesar de estar regido pelo mundo do trabalho, iniciam formas eficazes de driblar alguns aspectos da cultura hegemônica e por isso são mais livres. Para se entender um pouco mais sobre o Vale do Jiquiriçá e o povo do Arguidá, deve-se primeiro admitir que não há contradições na forma como a realidade se apresenta, mas existe uma complexa rede de elementos paradoxais em tudo que se vê, se sente, ouve ou degusta. A vida lá é ao mesmo tempo complexa e simples, singela e complicada. Uma vida de rotina dura de trabalhadores rurais que contrasta com uma irradiante alegria de viver. Apesar de carregar marcas do racismo e de outros preconceitos, como o fato dos habitants serem trabalhadores rurais e terem baixo índice de escolaridade, o corpo manifesta-se como espaço de prazer e de ludicidade, sobretudo de exercício de uma estética de alteridade. Numa roda de conversa uma delas afirmou:

 

Depressão é coisa da mulher da cidade, não porque elas não têm o que fazer, porque mulher sempre tem o que fazer, mas porque elas não aprenderam a se amar desde pequenas. Enquanto elas valorizam coisas da cidade, aqui, primeiro, a gente aprende a amar a natureza e a terra.

 

O povo do Arguidá celebra a vida a todo instante, no silêncio, nas cores, na admiração da natureza exuberante do Vale, na cor das folhas dos dendezeiros, no aroma das frutas frescas, mas, sobretudo, na simplicidade cotidiana no que se refere a solucionar problemas. A celebração da vida nas comemorações encerra uma ritualística circunscrita num espaço-tempo sob a forma de festa – festejos e brincadeiras, como o povo do Arguidá define esses momentos de máxima expressão do lúdico. Durante as festas, o samba é o ritmo sempre presente. Formam-se rodas de samba espontâneas ao som mecânico dos carros de alguns convidados. Na roda de samba, os corpos se exercitam, gastam calorias, se comunicam, dizem do lúdico através da ginga. O espaço da festa também é o de solução de desavenças, fofocas e intrigas: é da aproximação e do toque despretensioso das mãos nas cinturas e das aproximações ritmadas das nádegas que pessoas aproveitam para desculparem-se de ofensas; por vezes, culmina o diálogo de corpos com uma umbigada.

 

 

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Fonte: Diário de campo

 

 

Há, portanto, um princípio civilizatório que emerge na roda de samba que molda e educa os corpos: uma espécie de memória lúdica que se vai aprendendo pelos diversos recursos de cultura.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

No cenário da contemporaneidade caracterizado pela dualidade entre a emergência de novas formas de se compreender o universo humano e pela coexistência de óticas pretéritas oriundas de culturas distintas que resguardam traços de um passado próximo, o estudo no campo da memória lúdica em comunidades que trazem forte influência africana e aborígene na sua concepção de corpo pode trazer muitos aspectos importantes no processo de construção de uma sociedade diversa, mais justa e que reaproxime o homem da convivência com a diversidade.

 

Um dos principais legados da Revolução Industrial foi uma nova organização do tempo livre, o que certamente implicou na redução das possibilidades de expressão de ludicidade nas sociedades industrializadas. O tempo livre das pessoas foi delimitado, demarcado. As jornadas de trabalho, juntamente com o preenchimento do tempo livre das pessoas com atividades elaboradas chamadas corriqueiras na atualidade, dificultou o exercício do direito à ludicidade e em especial o direito ao ócio. As atividades de lazer passam a organizar o tempo livre das pessoas, assumindo o caráter de uma mercadoria ou produto, atendendo às demandas mercadológicas. Então, o tempo livre usurpado passou a ser vendido à classe trabalhadora como atividades de lazer, sem muita atenção às subjetividades. Nesse momento histórico, houve, portanto, a invasão demasiada do trabalho organizado, penetrando no campo da ludicidade, limitando as pessoas no que concebe a sua relação de prazer através da expressão da sua corporeidade. O universo do lúdico passa a ser restrito, especialmente na vida das pessoas que vivem nos centros urbanos. Essas pessoas têm de pagar por momentos de prazer, ocupando o seu tempo livre com produtos de lazer que conduzem e direcionam a sua expressão lúdica.

 

Numa comunidade negra e rural, como esta que observamos, o universo lúdico está presente no cotidiano das pessoas de uma forma mais explícita. Nessas sociedades distantes de um modo de funcionamento urbano-industrial, o trabalho e o lazer estão concentrados no mesmo contexto situacional. A jornada de trabalho em comunidades rurais autônomas, muitas vezes respeita o tempo das pessoas, da mesma forma que também disponibiliza informalmente tempo para a realização de jogos, brincadeiras e folguedos na sua cadeia produtiva. Parece que de certa forma, o universo lúdico dessas pessoas permeia a vida comunitária, tornando-se um fator essencial para se compreender como se desenvolvem as relações humanas amparado num modo de viver que integra formas coletivas do lúdico.

 

O Pensamento Contemporâneo, seguindo o Pensamento Moderno, trouxe novas formas de se conceber e ler o mundo, mesmo a despeito da ideologia capitalista hegemônica, sem citar os traços do colonialismo eurocêntrico. Se de fato a era da informação trouxe agilidade no que tange aos processos comunicacionais, em contrapartida trouxe também o fortalecimento das políticas neoliberais que têm assegurado a hegemonia do pensamento da classe dominante e de seu modus operandi, que aliena a classe trabalhadora, e de certa forma rejeita aspectos culturais de comunidades tradicionais que apresentam formatos diferenciados no que tange a construção das relações humanas e como essas expressam a sua ludicidade através do corpo.

 

O povo do Arguidá é bastante receptivo, ao mesmo tempo que a desconfiança também está presente na relação com os estrangeiros. Eles revelaram que admiram a região onde moram, e não se adaptam à vida na zona urbana. Muitos só saem do vale para estudar ou trabalhar por falta de oportunidades, mas sonham um dia em voltar. O isolamento parcial permitiu aos sujeitos desta pesquisa desenvolver uma cosmovisão baseada na alteridade e no afeto. O povo do Arguidá apresenta uma perspectiva humanizada e uma forma de lidar com o próprio corpo bastante emancipada, no que se refere às influências da cultura de consumo e da ditadura da estética. Não à toa, nas rodas de conversa, podemos apreender vários enunciados que revelam uma sobrevalorização da personalidade, do comportamento das pessoas, da alegria, mais do que seus atributos físicos. A beleza está naquilo que se faz, no bem que se faz ao outro, na honestidade, na ajuda mútua, nos serviços prestados e não nos bens materiais. Um povo brincante, que festeja a vida diariamente, mesmo com duras rotinas de trabalho extenuante.

 

Neste breve artigo não foi a nossa pretensão trazer uma descrição exaustiva dos modos de viver desta comunidade. Interessou-nos relatar nuances de uma observação que incorpora elementos frutos de experiências estéticas e lúdicas observadas durante a pesquisa de campo convivendo com o povo do Arguidá. Para se compreender as corporalidades no Vale do Jiquiriçá, sobretudo nas comunidades estudadas, foi necessário analisar o lúdico, o corporal e suas relações com a festa para além das questões étnicas: ao falarmos sobre modos de viver atentamos para as ruralidades que em todos estes aspectos estão incorporadas.

 

 

 


 

NOTAS

 

 

1 Doutorando em Educação e Contemporaneidade (Universidade do Estado do Bahia). Mestre em Educação. Membro do Grupo de Pesquisa “Educação e Desigualdades”.

2 Doutora em Antropologia Social e Etnologia. Docente/pesquisadora no Departamento de Educação/ PPGEduc (Universidade do Estado da Bahia).

3 Os dados apresentados são parte da investigação de mestrado intitulada “Corporalidades e Memória Lúdica: um estudo sobre educação e expressões culturais numa comunidade negra rural da Bahia”, apresentada à Universidade do Estado da Bahia UNEB, Departamento de Educação no Programa de Pós-graduação em Educação e Contemporaneidade, na linha de pesquisa Processos Civilizatórios: Educação, Memória e Pluralidade Cultural (data de defesa: 22/09/2015). As informações foram levantadas durante a fase empírica fundamentada nas técnicas da etnografia e o apoio da perspectiva dos estudos pós-coloniais.

4 Expressão usada para identificar a farinha de mandioca escoada para as frentes de batalha em salvador reduzindo a distribuição local no Baixo-Sul durante as lutas pela independência do Brasil no estado da Bahia.

 

 

REFERÊNCIAS

 

Marcus Vinicius Araújo Ávila. Corporalidades e Memória Lúdica: Um estudo sobre educação e expressões culturais numa comunidade negra rural da Bahia.Salvador – 2015. 204 f.: il.

 

Johan Huizinga. Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 2012.

 

Hebert Marcuse. Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.