REVISTA ELETRÔNICA DA BIBLIOTECA VIRTUAL CONSUELO PONDÉ – N.5 FEV DE 2017. ISSN 2525-295X

Editorial

 

 

capaeditA quinta edição da Revista Bahia com História brota como flor de Mandacaru: espinhosa, ácida, trágica, resistente, altiva e deslumbrante ao eclodir e ganhar o mundo. É esta a sensação quando fitamos a obra do artista plástico J. Cunha que dá vida à capa desta edição. A partir dos seus estudos sobre o bioma dos sertões, J. Cunha traduz em luz e cor a vida do sertão, abrilhantando ainda mais nossa quinta edição que conta com oito artigos inéditos, entrevista, homenagem, seção documento e singular.

 

Armando Almeida nos brinda com um artigo que revela “um certo lado da história de fundação do Ilê Aiyê”, em que tece reveladoras considerações sobre os contextos artístico e político-social que antecederam a fundação do Ilê, e sobre as personalidades que contribuíram para a formação do primeiro bloco afro do Brasil. Alan Passos nos proporciona uma volta histórica ao analisar o cortejo do aniversário dos 400 anos de fundação da cidade de Salvador, demostrando como cada categoria histórica foi representada nas mais diferentes dimensões do cortejo. Jeferson Bacelar, biógrafo do grande ator Mario Gusmão, nos conta que este “foi sempre um rebelde às convenções estabelecidas, um subversivo, pois sem agressões, sem violência, foi um Príncipe Negro na Terra dos Dragões da Maldade”. Nivaldo Dutra nos leva para os barrancos do médio Velho Chico, no seu artigo “A Casa de Nanã Burokê: espaço sagrado em Mangal”, nos contando um bocadinho sobre as narrativas e vivências do culto ao orixá Nanã Burokê na região. Rita de Cássia M. Pereira nos alerta sobre o descarte desordenado dos acervos da Justiça do Trabalho, deixando evidente como a preservação desse tipo de fonte documental é relevante para escrever a história dos trabalhadores da Bahia. Lívia Fialho Costa e Marcus Vinicius Araújo Ávila nos levam ao mundo rural da comunidade quilombola através do lúdico, relatando como o Grupo Folclórico Arguidá “nos revelou a importância da manifestação cultural na produção de sentidos coletivos”. Mayara Pláscido elege como locus de pesquisa a cidade de Feira de Santana, analisando as práticas de produção, comercialização e beneficiamento do fumo e seus derivados, os impostos e o Código de Posturas no pós-abolição. Diogo Carvalho, de forma criativa e com forte arcabouço teórico, analisa o complexo mundo dos videogames: no seu artigo “Passando de fase”, Carvalho utiliza o centenário conceito de imperialismo elaborado por Lênin para entender como o universo lúdico dos games esconde uma complexa teia industrial e comercial monopolista.

 

Seguindo nossa missão de divulgar fontes históricas e trabalhos de preservação documental, a seção documento traz um pouco do ardoroso labor de Alícia Duhá Lose e Vanilda Salignac de Sousa Mazzoni em torno da publicação da Coleção de Livros do Tombo do Mosteiro de São Bento da Bahia. Como homenageado, temos o recém-centenário Terreiro do Bate Folha. Nesta homenagem, Erivaldo Sales Nunes trilha os caminhos e descaminhos percorridos por Manuel Bernardino da Paixão, fundador do terreiro, construindo o contexto histórico e religioso de uma das casas de candomblé mais influentes da Bahia.

Como gostamos de flertar com as artes, na seção singular trazemos um pouco das conclusões e impressões do Mapeamento da Dança, em que Lúcia Matos e Gisele Nussbaumer analisam os aspectos sociais, econômicos e artísticos da área a partir de oito capitais de cinco regiões do país.

Ainda flertando com as artes, entrevistamos o cineasta Antônio Olavo, que nos conta um pouco de sua trajetória, processo criativo, relação do cinema com as questões históricas e raciais e sua mais nova produção sobre a Revolta dos Búzios.

 

Ao findar este editorial, retorno às flores que abriram este texto, e a J. Cunha: artista plástico, designer gráfico, cenógrafo e figurinista. Cunha correu e corre o mundo levando sua arte, e hoje temos mais uma “tela” sua alçando voo com nossa revista, chama-se: Mandacaru Fulô. Flor do vasto mundo, mas fincada nos sertões mais profundos da nossa História.

Boa leitura.

jcunha-01

J. Cunha

 

 

Conselho editorial

 

Avanete Pereira Souza (UESB)

Ediana Mendes (UFOB)

Gino Negro (UFBA)

Henrique Dias (UESC)

José Carlos Barreto de Santana (UEFS)

Lívia Alessandra Fialho da Costa (UNEB)

Paulo Miguez (UFBA)

Rafael Fontes (CMB)

Renato da Silveira (UFBA)

Robério Souza (UNEB)

 

Expediente

 

Governador do Estado da Bahia:

Rui Costa

 

Secretário de Cultura:

Antônio Jorge Portugal

 

Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon:

Edvaldo Mendes Araújo (Zulu Araújo)

 

Diretora de Bibliotecas Públicas do Estado:

Maria Cristina Santos

 

Diretora da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé:

Maria Cristina Santos

 

Coordenador da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé:

Clíssio Santana

Capa: J. Cunha

Título: Mandacaru Fulô

Técnica: pintura acrílico sobre tela, 2016.
Imagens e foto do editorial: J.Cunha

 

Editor: Clíssio Santana

 

Editora assistente: Larissa Kharkevitch

 

Editoração: Alef Ramos

 

Equipe Biblioteca Virtual Consuelo Pondé:

Alef Ramos

Clíssio Santana

Larissa Kharkevitch

Milena Pinillos

Tatiely Neves

 

 

Fizemos esforço para creditar todas as imagens, às que não foi possível identificar teremos prazer em dar o crédito reclamado.