REVISTA ELETRÔNICA DA BIBLIOTECA VIRTUAL CONSUELO PONDÉ – N.5 FEV DE 2017. ISSN 2525-295X

HOMENAGEM

100 ANOS DO TERREIRO DE CANDOMBLÉ DO BATE FOLHA

 

Erivaldo Sales Nunes1

 

 

BATE FOLHA

Manoel Bernardino da Paixão – Tata Ampumandezu – Fonte: Acervo do Terreiro do Bate Folha – (191? – 192?)

Durante os 365 dias que contemplaram o ano de 2016, o Terreiro de Candomblé Congo-Angola Manso Banduquenqué – Terreiro do Bate Folha, localizado à Rua Dionísio Brito Santana, antiga Travessa São Jorge, 65-E, no bairro da Mata Escura, em Salvador-BA, celebrou seus 100 anos de fundação, preservação e continuidade de práticas religiosas afro-baianas. O Terreiro tem como principal divindade representada o Nkise Bamburecema.2 Essa importante casa de candomblé viveu, ao longo da sua trajetória religiosa, diversas situações que a coloca no centro de um importante período da história afro-religiosa e cultural da Bahia. Os desdobramentos do pós-abolição, a constituição da Primeira República Brasileira, a Era Vargas, são alguns momentos emblemáticos na história do Brasil e da Bahia envolvendo conflitos, disputas e resistências entre lideranças afro-religiosas e o Estado.

 

Pensar na construção social e nos discursos que giravam em torno das práticas de cura, sobretudo com o uso de plantas medicinais, práticas de jogos de búzios, festas, celebrações, dentre outras situações envolvendo rito, religião e culto, nos faz deparar com os estereótipos elaborados institucionalmente a partir dos Códigos Penais Brasileiros de 1830, 1890 e 1940.

 

Além disso, contou-se com uma ampla campanha higienizadora e civilizadora veiculada nos jornais de grande circulação na capital baiana ao longo de toda a primeira metade do século XX. Praticantes do candomblé eram amplamente associados a sujeitos que estavam vinculados a cultos diabólicos, animistas, fetichistas. Esses sujeitos levavam consigo uma carga desqualificante, colocando-os como equivalentes aos marginais, desordeiros, vagabundos, charlatões, portanto, sujeitos imorais e ilegais diante da Constituição Brasileira entre os séculos XIX e XX.

 

 

Trazer à cena do século XXI a trajetória do Terreiro do Bate Folha é associá-la ao indivíduo Manoel Bernardino da Paixão em seus primeiros passos à frente de um Terreiro de Candomblé, que por sua vez trará como consequência a continuidade de práticas afro-baianas que têm como referência a memória, a história, a ancestralidade e a religiosidade centro-africana de Congo e de Angola. São práticas religiosas que tiveram, a partir do Tata Ampumandezu,3 iniciações ao culto dos nkises.

 

 

Entre 1906 e 1907, Manoel Bernardino da Paixão, ainda adolescente, tem a sua iniciação religiosa no candomblé. Nascido na cidade de Santo Amaro da Purificação, em 1892, era filho de Lino da Paixão e Maria Anastácia da Paixão. Embora não tenhamos encontrado registros do seu nascimento no Fórum do Município de Santo Amaro da Purificação,4 a tradição oral do Terreiro do Bate Folha atribui o seu nascimento ao dia 20 de agosto de 1892. A partir de algumas pistas, foi possível encontrar indícios que apontam a genealogia de Manoel Bernardino para a região do Recôncavo Baiano, nos trazendo inicialmente duas possibilidades de localização. A primeira é que Bernardino tenha nascido em 1892 na Vila de Santo Amaro da Purificação e sido batizado na Igreja de Nossa Senhora da Purificação no mês de abril de 1893.5

 

 

A segunda possibilidade de nascimento e/ou batismo de Bernardino seria na Vila de Cachoeira, em especial a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Rosário da Vila de Cachoeira. No período pesquisado (1892-1893), localizamos apenas um indício existente nos livros de batismos dos arquivos da Cúria Metropolitana da Arquidiocese de São Salvador.6 Será com aproximadamente 13 ou 14 anos de idade que Bernardino passará pelo processo de iniciação no candomblé. A iniciação se dá pelo africano congolês Manoel Nkosi, que residia na região do Recôncavo. Cabe aqui destacar o fato de que a documentação existente e que trata da história de vida do sacerdote Bernardino do Bate Folha não é tão precisa a ponto de auxiliar e descrever a trajetória de vida de Manoel Bernardino. Situações como infância, juventude, vida afetiva, dentre outras, em quase nada puderam ser cruzadas com a tradição oral.

 

 

Bem, se nos deparamos com a imprecisão documental, o registro da tradição oral corrobora no entendimento ou, pelo menos, nas lacunas que intrigam e estimulam a compreensão da trajetória do fundador do Terreiro do Bate Folha. Se a iniciação no candomblé de nação Congo se dá entre 1906 e 1907, demarca-se que em 1910, em decorrência do falecimento do pai de santo Manoel Nkosi, havia a necessidade de que se realizasse a obrigação denominada mão de vumbe.7 Esse processo ocorrerá nas dependências do Terreiro de Candomblé do Tumbenci, localizado na capital baiana, no Bairro do Beiru, atual Tancredo Neves. A zeladora e responsável era a Sra. Maria Genoveva do Bonfim – Mameto Tuhenda Nzambi, também conhecida por Dona Maria Nenê. Bernardino realizará essa obrigação, e por consequência disso, se vinculará aos preceitos do Candomblé Angola. Ele será, portanto, Congo por iniciação e Angola por obrigação.

 

 

A documentação existente nos dá com precisão que, com 24 anos de idade, Manoel Bernardino irá adquirir as terras localizadas na Fazenda Bate Folha. O contexto geográfico das terras onde está situado o Terreiro do Bate Folha corresponde à zona territorial do distrito de Santo Antônio Além do Carmo. Consta que, em 11 de dezembro de 1916, as partes outorgantes compareceram ao cartório do 4º Tabelião de Notas, em Salvador, sendo vendedor Secundino dos Santos, solteiro, maior, e como comprador Manoel Bernardino da Paixão.8 De acordo com o vendedor, foi dito que era senhor e possuidor de um terreno baldio de seis tarefas, cuja descrição é a seguinte:

 

 

[…] Seis tarefas de terra encravada no terreno de propriedade de Sancho José Bernardo dos Santos, que se divide pela nascente […] trás o rumo de Manoel Camillo e propriedade do referido Sancho e pelo lado oposto com a fonte da telha e terrenos de Christóvam Elias de Seixas e o mesmo Sancho José Bernardo dos Santos, e assim descrito e demarcado, livre e desembaraçado de todo e qualquer ônus, tal como o comprou a Manoel Lino de Antunes jus escritura particular de 23 de Fevereiro de 1905, vende-o ao comprador Manoel Bernardino da Paixão, pela quantia de quatrocentos mil reis (400$000) que neste ciclo deve receber em moeda legal e corrente e da qual lhe dá plena, geral e irrevogável quitação e em seguida transferindo-lhe a posse, acção, direito e pertenção, tal como exercia no terreno vendido, para que gose-o, e possua-o como seu que fica sendo por força dessa escritura e da clausula constitutiva, obrigando-se como se obriga, em qualquer tempo, fazer boa, firme e valiosa esta venda por si, seus herdeiros e sucessores a responder a quaisquer dúvidas futuras e pela evicção de direito quando chamado a auditoria.9

 

 

Registrada em cartório de imóveis, o documento acusa a compra, a venda e a quitação das terras acima delimitadas e adquiridas por Manoel Bernardino da Paixão, em 11 de dezembro de 1916. É justamente esta data que as novas gerações vêm tomando como referência para comemorar as contribuições deixadas pelo fundador. De uma sequência de seis líderes religiosos com experiências datadas entre 1916 a 2016, os membros integrantes da família do Terreiro do Bate Folha têm mantido a tradição do Tata Ampumandezu – Manoel Bernardino da Paixão. Entretanto, o contexto em que se deu a aquisição das terras por Bernardino, de acordo com a narrativa de Dona Maria Bernadete, foi o seguinte:

 

 

[…] Sempre que Bernardino passava pelas ruas, você só via as pessoas se curvando, e alguns diziam: – Lá vai o homem! Ele realmente era uma pessoa ímpar. E daí ele foi, foi… e num certo dia uma senhora procurou ele para que resolvesse uma questão que encontrava-se na Justiça há mais de vinte anos e não se obtinha sucesso. Foi aí que ele indagou: – Se eu conseguir resolver, o que é que ganho? E ela responde: – O que o senhor quiser! E prontamente ele respondeu: – Eu quero uma roça! E essa senhora, prontamente disse: – Eu dou. Sabemos que ele resolveu a questão e essa senhora cumpriu o prometido.

 

 

Quando Bernardino começou a estruturar a roça, outras casas de candomblé achavam que ele não avançaria ali e não iria sobreviver. Algumas pessoas tinham tentado antes estabelecer naquelas terras e não conseguiram. Só que Bernardino sabia o que estava fazendo! Ele comprou a roça e Bamburucema/Yansã pegou ele e foi nos pontos-chaves tirar o que não deveria estar naquele espaço. Ela limpou a casa para ele.10

 

 

 

Planta do terreno de Feliciana Pereira de Jesus. APEB: Seção Judiciária, Inventários, 07/3136/01.

 

 

 

A trajetória religiosa de Manoel Bernardino, que compreende o período de 1916 a 1946, também será contemplada por práticas de iniciação e confirmação, delimitadas no ano de 1929, quando ocorrerá o recolhimento do primeiro barco, e o recolhimento do derradeiro barco liderado por ele, em 1942. Houve com Bernardino práticas de feitura e confirmações para 55 (cinquenta e cinco) pessoas ao longo de pelo menos trinta anos de liderança junto ao Terreiro do Bate Folha.11 Quando nos deparamos com o número de pessoas apenas iniciadas, predominam mulheres. 32 (trinta e duas) mulheres iniciadas e apenas 02 (dois) homens realizaram feituras de nkises. Esses indivíduos iniciados chamavam-se João Correia de Melo – Lesenge e Antônio José da Silva – Bandanguame, que viria a ser o sucessor de Manoel Bernardino.

 

 

Quanto às práticas ritualísticas de confirmação dos nkises, o gênero predominante será o masculino. Teremos 16 (dezesseis) homens confirmados e apenas 5 (cinco) mulheres inseridas nesse processo. Bernardino consegue atingir 41% de confirmações masculinas. Cabe aqui compreender que essas mulheres confirmadas estiveram exercendo papéis de makotas e kotas,12 enquanto os homens exerceram funções de cafuringomas e xicarangomas.13 Devemos levar em consideração o fato de que as práticas ritualísticas de feitura e iniciação ocorrem com Bernardino entre 1929 e 1942, portanto, durante treze anos, embora o seu sacerdócio tenha alcançado trinta anos.

 

 

As histórias cruzadas envolvendo Manoel Bernardino da Paixão e o Terreiro do Bate Folha também se estendem a conflitos, negociações, atritos e trocas. Podem-se mencionar pelo menos duas importantes circunstâncias. A primeira está relacionada ao Delegado e depois Secretário de Polícia, Pedro Gordilho, e remete ao período entre 1920 a 1930. Embora não tenhamos identificado junto ao banco de dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia – SSP-BA processos ou registros de ocorrências envolvendo o nome do líder do Bate Folha em possíveis casos de reclusão, a tradição oral nos contempla com algumas narrativas. Tomemos a narrativa de Dona Olga – Nengua Guanguasesse, que compartilha as atribuições de zelar pelos nkises do Terreiro desde 1965. Dona Olga, juntamente com os sacerdotes que irão suceder Manoel Bernardino, será responsável pelo auxílio nas manutenções e continuidades dos preceitos ritualísticos da casa. E suas memórias nos trazem uma passagem interessante sobre a visita de Pedro Gordilho ao Bate Folha:

 

 

 

mapa batefolhaLevantamento Planimétrico da Fazenda Bate Folha. Fonte: Acervo do Terreiro do Bate Folha. 1969.

 

[…] houve um dia que Bernardino saiu escondido do terreiro e teve que passar por debaixo da cerca. Outra situação foi quando Pedrito tentou chegar a cavalo pela mata do Bate Folha. Ele ouvia os toques dos atabaques, mas não conseguia chegar ao local. Ele perseguiu muito Seu Bernardino.14

 

 

Quanto às perseguições ao Terreiro do Bate Folha até a década de trinta do século XX, o atual zelador do Terreiro, Cícero Lima – Tata Muguanxi15 nos traz uma situação bem peculiar envolvendo o Delegado Pedro Gordilho – conhecido por Pedrito:

 

 

 

Na nossa casa de Nkosi, temos a história de uma espada que foi doada ao Terreiro do Bate Folha por Pedrito. Essa situação se deu depois que o delegado tentou fazer uma batida policial no terreiro e no caminho de mata fechada acabou se perdendo. Como forma de agradecimento por nada ter lhe acontecido durante essa diligência, Pedro Gordilho presenteia Bernardino com uma espada. Na época, tal atitude foi entendida como sendo uma trégua às perseguições implacáveis dos policiais aos cultos dos nkises dentro das terras do Bate Folha. A partir dali, Pedrito deixou de perseguir os cultos de Bernardino. Desconheço registros de apreensão de objetos de cultos ou prisão de membros do Bate Folha durante o período mais repressor dos cultos afro-baianos.

 

 

A segunda circunstância envolvendo Manoel Bernardino e o Terreiro do Bate Folha conta com a inicial repulsa, e depois ajuda e aproximação com o intendente Juracy Magalhães.16 De acordo com a tradição oral, ambos estiveram ligados pelas práticas de cura em atendimentos prestados por Bernardino ao intendente e acabaram, de certa forma, atenuando conflitos e perseguições da polícia ao Terreiro do Bate Folha. Entretanto, isso não o “alforriava” com relação aos pedidos de autorização de funcionamento em períodos festivos religiosos, junto à Delegacia de Jogos e Costumes. O episódio narrado a seguir faz parte da trajetória de vida religiosa de Bernardino da Paixão, envolvendo o interventor federal e governador institucional da Bahia. Juracy Magalhães foi nomeado interventor durante a era varguista, no período que se estende de 19 de setembro de 1931 a 10 de novembro de 1937. Dona Maria Bernadete17 narra:

 

 

Mas sabemos através de Bernardino, que Juracy Magalhães apareceu com uma tuberculose. Ele foi levado para o Ilê Axé Opô Afonjá em São Gonçalo, mas nada foi resolvido. Até que uma pessoa disse para o intendente para ver o outro lado, sugerindo que alguém tinha feito um feitiço para atingi-lo. Um chefe de polícia se adiantou e resolveu prender Bernardino. Prenderam ele, deram umas pancadas na delegacia. Bernardino nos contou que disse o seguinte na delegacia: – Olhe, vejam como vocês me batem. Sou eu ou vocês! E Juracy Magalhães, ao saber do episódio, ordenou que o soltassem imediatamente. Na ocasião, Bernardino diante do intendente, mencionou que de fato, no dia da posse de Juracy como interventor da Bahia, alguém havia colocado algo na taça de champanhe em que ele havia bebido. E salientou: – Não fui eu! Quem fez isso foi o pessoal de Cachoeira! Eu não vou tirar esse feitiço porque me bateram nessa delegacia. No final das contas, Bernardino acabou desfazendo o trabalho.

 

A década de 30 do século XX contará também com dois significativos eventos que irão reunir pesquisadores e líderes religiosos afro-brasileiros. Trata-se do I e II Congressos Afro-brasileiros. O I Congresso aconteceu em Recife, em 1934 e contou com a organização do sociólogo Gilberto Freire. Já o II Congresso Afro-Brasileiro, organizado por Edison Carneiro e Aydano do Couto Ferraz se deu em 1937 e teve como cerne a luta contra a opressão policial e a perda das tradições africanas. Ambos terão a participação de intelectuais. Os chamados terreiros tradicionais – próximos da pureza nagô – conseguiam ficar a salvo da repressão policial, que incidia de forma mais violenta sobre os “impuros” ou não valorizados. Quanto aos preparativos que antecederam à realização do evento, é possível identificar em membros organizadores daquele congresso uma vontade expressa de promover uma igualdade das religiões de matrizes africanas diante das demais que coexistiam naquele momento da história do Brasil. Os participantes do Congresso de 1937, reunidos na Bahia, visitaram centros de culto afro-brasileiro, assistiram a apresentações de capoeira e de samba e a cerimônias do culto, homenagearam a memória de Nina Rodrigues e, sobretudo, protestaram contra a interferência policial no candomblé, clamando por liberdade religiosa para o exercício de seus ritos.

 

 

Cabe aqui destacar a participação de Manoel Bernardino da Paixão e o Terreiro do Bate Folha durante a realização do II Congresso Afro-brasileiro. Além dos antropólogos, lideranças afro-baianas também aparecem com artigos publicados nos anais desse evento. Uma das publicações, denominada Uma explicação sobre a nação Congo,18 tem seu registro creditado a Manuel Bernardino da Paixão. O artigo está dividido em quatro partes. A primeira trata da definição do que vem a ser um nkise. Na segunda parte do artigo, Bernardino da Paixão nos explica e conceitua aquilo que vem a ser um Barquici:

 

 

É um santuário onde domina o Santo e ficando comumente instalado no interior da casa. O Santo é representado por pedras, búzios e fragmentos de ferro, conforme a invocação, e encerrado tudo isso em urna de barro da conformação de uma sopeira. Rodeiam o vaso, quartinhas de tamanhos diversos, pratos, porcelanas, enfeites de pennas e de papel. Num dos dias da semana varre-se o santuário, substitue-se a água das quartinhas, renovam-se as comidas dos pratos. Cada invocação tem sua comida especial. Exemplo: Massangua-pipóca chamada dicássú-orobó, dibandulangu-carurú. A esse trabalho, dá-se o nome de sucuranquici, que quer dizer dar água ao santo.19

 

Já na terceira parte do artigo, Manoel Bernardino da Paixão nos apresenta o processo de dar comida à cabeça do santo de devoção (nkise). É uma prática que tem por finalidade satisfazer a um preceito, cujo objetivo é obter saúde. As explicações registradas pelo sacerdote do Bate Folha indicam que, antes de qualquer coisa, deve-se invocar o santo de devoção para designar quem se deveria encarregar dessa função. Até porque nem todas as pessoas têm permissão para pôr a mão na cabeça de outrem, e somente aquelas pessoas consideradas “limpas” e indicadas pelo pai de santo é que estão autorizadas.

 

 

No caso do artigo de Manoel Bernardino, encontram-se numa quarta parte, substantivos, adjetivos, numerais, advérbios dentre outras morfossintaxes.20 Portanto, o registro efetuado por Edison Carneiro, possivelmente a partir da tradição oral de Manoel Bernardino da Paixão, acaba contribuindo para ampliar o universo sociolinguístico envolvendo os falares africanos na Bahia na primeira metade do século XX.

 

 

Além da publicação acima mencionada, o Terreiro do Bate Folha foi responsável pela festa de encerramento do II Congresso Afro-brasileiro. Coube ao Terreiro Bate Folha realizar a festa de congraçamento e finalização dos trabalhos ocorridos durante o Congresso. Os congressistas marcaram presença no Terreiro Bate Folha, mostrando-se encantados com a recepção e o brilho das indumentárias das filhas de santo de Manoel Bernardino da Paixão. Os periódicos locais descrevem não só o final do evento acadêmico como também enfatizam o sentido de festejar religioso e social das comunidades e dos terreiros de candomblé na cidade de Salvador, em 1937:

 

 

UMA FESTA NO CANDOMBLÉ DO BATE FOLHA. O “pae de santo” Bernardino, chefe do candomblé de influência conguista do Bate Folha, ofereceu-se expontaneamente para festejar a finalização do 2º. Congresso Afro-brasileiro, oferecendo o seu “terreiro” à visita dos congressistas. Acceitando o convite, os congressistas irão em Marinetti oficial até o Candomblé do Bate Folha, quarta-feira, 20 de corrente. (As ultimas reuniões do Congresso Afro-brasileiro. As sessões de terça-feira, 19 . A homenagem dos congressistas a Nina Rodrigues. Uma festa no Candomblé do Bate Folha. Jornal Estado da Bahia.18 jan. 1937.p.2.)

 

 

OS CONGRESSISTAS NO CANDOMBLÉ DO BATE FOLHA. O “pae de santo” Bernardino chefe do “terreiro” congo do Bate Folha, offereceu, hontem a noite, uma grande festa aos congressistas, que dali saíram, já de madrugada, encantados com a recepção, com a ordem mantida e com o brilho das danças e das vestimentas das várias “filhas de santo” daquele candomblé. Encerrou-se, assim, com chave de ouro, o Congresso Afro-brasileiro da Bahia. (2º Congresso Afro-brasileiro. O encerramento do brilhante certame – As resoluções votadas – A festa de hontem no Candomblé do Bate Folha. Jornal Estado da Bahia. 21 jan.1937. p.7.)

 

Apesar de ter iniciado sua trajetória religiosa muito jovem, Manoel Bernardino da Paixão será responsável por edificar um razoável patrimônio material e imaterial. Seu jogo de búzios assertivo era considerado como sendo de excelência, a ponto de ganhar respeito, admiração e prestígio social, não só diante dos seus pares inter-nações (ketu e jeje) como também, intra-nações Congo-Angola. O Tata Ampumandezu passará para o mundo de vumbe com 53 anos de idade. O registro de óbito como causa mortis, uma insuficiência cardio-hepato-renal.21 De acordo com a certidão de óbito, a morte de Manoel Bernardino da Paixão se deu por volta das 11h do dia 17 de abril de 1946, em sua residência, à Rua da Lenha, casa 26, no bairro do Bonfim. O sepultamento ocorreu no Cemitério Quinta dos Lázaros na manhã do dia 18 de abril. Sua morte alcançou notável repercussão na imprensa baiana. Nos periódicos consultados, A Tarde destaca que o enterro foi bastante concorrido. Embora os periódicos da época não façam alusão à presença de lideranças de terreiros de candomblé, a exemplo de Mãe Menininha do Gantois e Procópio do Ilê Ogunjá, considerados amigos muito próximos a Bernardino da Paixão, ainda assim a trajetória do sacerdote foi descrita da seguinte maneira:

 

 

 

Figura de grande popularidade no mundo afro-brasileiro, Manoel Bernardino da Paixão, também era bem quisto na sociedade baiana onde desfrutava de largo círculo de amizades. Trabalhando limpo sem fazer mal a qualquer pessoa, segundo afirmavam os seus prosélitos, Bernardino fez prosperar a religião fetichista, operando seus “santos” e “caboclos” a ponto de contar, agora, ao ser surpreendido pela morte, com cerca de mil “filhos” e “filhas”, além de vários outros milhares de frequentadores do seu “terreiro”, todos “crentes” da religião afro-brasileira.22

 

 

 

Já o periódico Diário de Noticias atribui a causa mortis de Bernardino a uma afecção cardíaca. O sepultamento foi descrito da seguinte maneira:

 

 

 

Ante-ontem, à noite, vítima de uma afecção cardíaca, faleceu o “pai de santo” Bernardino. Logo se espalhou a notícia, formou-se uma romaria à sua casa, levada a feito pelos “filhos” e “filhas” de seu “terreiro”, além de simpatizantes, incluindo-se pessoas gradas. Desapareceu, assim, uma das figuras mais conhecidas nos meios afro-brasileiros. Seu enterro foi realizado ontem, na Quinta dos Lázaros, saindo o féretro às 10:30, de sua residência, à Ladeira do Porto da Lenha, 26, tendo grande acompanhamento.23

 

 

imagem2Cortejo fúnebre do sacerdote Manoel Bernardino da Paixão Fonte: Jornal Diário de Notícias. 19 de abril de 1946, p. 8.

 

 

 

No laudo de avaliação judicial sobre os bens pertencentes a Manoel Bernardino da Paixão, constam no inventário24 bens móveis e imóveis. Os móveis correspondiam a um sofá, duas cadeiras de braço, sendo quatro simples com encosto e assento de madeira, usados. Além disso, dois armários com espelhos e pedra mármore, usados. Os bens imóveis foram a casa da Rua Santos Reis e a Fazenda Bate Folha, considerando área de ocupação e benfeitorias. Portanto, o espólio total dos bens de Manoel Bernardino da Paixão teve um acúmulo da ordem de $260.400,00 (duzentos e sessenta mil e quatrocentos cruzeiros), avaliados em 04 de novembro de 1946. Considerando que o salário mínimo vigente entre 1943 e 1951 era de acordo com o Decreto Lei 5.977/43, em valor correspondente a Cr$ 380,00 (trezentos e oitenta cruzeiros), os bens totais de Manoel Bernardino da Paixão eram equivalentes a 685,26 salários mínimos.

 

 

 

Num estudo em que se coteja a memória e a história de indivíduos, estão entrelaçadas não só a trajetória da congregação religiosa, como também a história em si dos sujeitos que, de forma individual ou coletiva, ajudaram a constituir uma comunidade. Tal comunidade se estende para além dos muros e das paredes dos barracões e/ou assentamentos de nkises no Terreiro do Bate Folha. A compreensão dessas micro-histórias ajuda não só a descortinar as redes e os espaços de sociabilidades, além da trajetória de vida de alguns atores sociais; sobretudo nos permite compreender quem eram esses indivíduos, qual o seu perfil social, quais as relações de atritos e trocas, tão comuns à condição humana. Associado a isso, auxilia na compreensão de como esses sujeitos se viam representados ou representavam os interesses da congregação religiosa diante de uma sociedade baiana elitista, excludente e racista, justamente numa configuração social em que lutavam contra a perseguição e a opressão de suas práticas religiosas.

 

 

 

A resistência e a legitimação de um legado religioso, em especial aquele de ressignificação centro-africano, tem como pano de fundo ou central o resultado e o papel de força de diversos sujeitos sociais. São homens, mulheres, negros, mestiços, alfabetizados ou não, com ou sem posses, gozando ou não de prestígio social e de redes de sociabilidade em que se faziam presentes pessoas influentes. Esses sujeitos sociais estão inseridos para além do pertencimento da nação africana ou afro-americana. As tramas que tecem o tecido das histórias de vida do primeiro sacerdote do Terreiro do Bate Folha, seu fundador Manoel Bernardino da Paixão – Tata Ampumandezu (1892-1946), nos levam a compreender de que modo a sociedade e os indivíduos se entrelaçam e acabam se confundindo com a história institucional das religiões de matrizes africanas na cidade de Salvador. Quase sempre, falar de uma casa de candomblé remete à incorporação do nome do fundador ao nome da casa de santo.

 

 

 

No caso estudado, temos denominações de o “Bate Folha de Bernardino” ou “Bernardino do Bate Folha”. A relação entre indivíduos e sociedade está longe de ser algo plural. Pode ajudar a afrouxar e ampliar os hábitos mentais a que a história fará referência e, no caso em estudo, a trajetória e a memória do Terreiro de Candomblé do Bate Folha. Os hábitos e os costumes dos sacerdotes sempre gozarão de opiniões consensuais. Cabem situações de dissensos, contradições e sobreposições de ideias, circunstâncias e interesses de ordem pessoal. Assim, comungamos do entendimento de que só podemos chegar a uma opinião clara estabelecida por essa relação entre indivíduo e sociedade quando se consegue incluir o crescimento do indivíduo no seu contexto social. No caso do papel exercido por Manoel Bernardino da Paixão, temos alguém que atuará não só como agente de informações sobre o candomblé Congo-Angola diante do jornalista Edison Carneiro e dos pesquisadores estadunidenses (Donald Pierson, Ruth Landes), como também estabelecerá uma rede de empreendimentos materiais e imateriais e gozará de prestígio junto a políticos locais, estabelecendo ainda relações de aproximação e amizade com terreiros de nações Angola, Ketu e Jeje.

 

 

 

A historicidade de Bernardino da Paixão, o fenômeno de seu crescimento no âmbito das redes sociais que envolviam os candomblés estabelecidos na cidade de Salvador entre 1916 e 1946, acaba sendo a chave para se compreender também de qual sociedade baiana estamos falando. Manoel Bernardino consegue construir uma marca individual a partir da história de negociações, trocas e atritos instituídos ao longo de sua trajetória de vida. Essa história está representada nele e é representada por ele. A trajetória do Terreiro do Bate Folha está eminentemente associada àquela dos seus sacerdotes. Salve o Terreiro do Bate Folha e Manoel Bernardino da Paixão. Pembelê! Kíua Bamburucema!

 

 


 

NOTAS

 

1 Doutorando em História Social-UFBA/UNL, Professor de História do IFBA- Campus Salvador, email: erivalldosn@gmail.com. No presente artigo constam análises integrantes da pesquisa de tese realizada no PPGH-UFBA, cujo título inicial é Contribuição para a história do Candomblé Congo-Angola na Bahia: o Terreiro de Bernardino do Bate Folha (1916-1946), que conta com a orientação do professor Milton Araújo Moura. Investigo as contribuições do candomblé Congo-Angola quanto à trajetória, experiências, conflitos e resistências do Terreiro do Bate Folha. Trago abordagens provenientes de um cruzamento de fontes documentais, orais, de periódicos e bibliográficas.

2 Nkise é a designação das divindades em Candomblés Congo-Angola, equivalente ao Orixá nos candomblés nagôs. Bamburecema/Matamba é nkise dos raios, tempestades e trovões. Corresponde a Iansã nos candomblés nagôs.

3 Essa é a Dijina de Manoel Bernardino. Dijina é a denominação dada para o nome de santo do indivíduo iniciado no candomblé Congo-Angola. Está sempre associado à origem ou a uma qualidade da divindade.

4 Os Livros de Registro de Nascimento da Vila de Santo Amaro da Purificação, do período de 1892 a 1893, pertencentes ao Fórum Municipal, foram destruídos pelas enchentes do Rio Subaé ocorridas na região durante a década de 80 do século XX, o que nos impede de confrontar e cruzar os dados referentes à data de nascimento do Sr. Manoel Bernardino da Paixão.

5 Livro de Registro de Batismo da Igreja de Nossa Senhora da Purificação da Vila de Santo Amaro (1888-1901). Microfilme no. 1284794. Arquivo da Cúria da Arquidiocese de São Salvador – ACASSA.

6 Livro de Registro de Batismo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Rosário da Vila de Cachoeira (1889-1897). Microfilme no. 1284937. Arquivo da Cúria da Arquidiocese de São Salvador – ACASSA.

7 Tirar a mão de vumbe é uma obrigação que se faz quando um pai de santo morre. Seja com raspagem ou lavando a cabeça, tira-se a mão do pai de santo que morreu da cabeça daquela pessoa que ainda está viva.

8 Escritura de venda, compra, paga e quitação. 4º Tabelião de Notas-Coronel Affonso Pedreira de Cerqueira, Salvador-BA. Livro nº 79, folhas 32. Em 11 dez. 1916. A escritura só foi registrada no Cartório de Registro de Imóveis G. Rodrigues Pompa, sob número de ordem 10269, página 237, e registrado no Livro 3C, sob número 8074, fl. 125, em 17 de abril de 1923.

9 Escritura de venda, compra, paga e quitação registrado no 4º. Tabelião de Notas – Coronel Afonso Pedreira de Cerqueira, Salvador, Livro 79, Folha 72, em 11/12/1916, p. 1-2.

10 Entrevista realizada com Maria Bernadete Boaventura Costa, sócia-benemérita do Terreiro do Bate Folha. Salvador. 20 de março de 2016.

11 Os dados quantitativos de registros dos processos de iniciação e confirmação são oriundos da tradição e da oralidade das atuais lideranças do Terreiro do Bate Folha. A iniciação no candomblé consiste no estabelecimento e na ligação da vida física com a vida sagrada. As transformações na vida do sujeito iniciado estão diretamente ligadas ao seu vinculo diário com o nkise, orixá ou vodun. Já a prática da confirmação consiste na renovação dos votos de iniciação, que ocorrem em três momentos distintos: a cada 7 anos, indo até o vigésimo primeiro ano completo.

12 Considerados os mais velhos e mais importantes na hierarquia religiosa do candomblé Congo-Angola.

13 Cafuringoma é o indivíduo freqüentador assíduo nos candomblés. É aquele que atua batendo no atabaque. Já o Xicarangoma equivale a ogã de coro. Cantador.

14 Entrevista realizada com Dona Olga Conceição Cruz – Nengua Guanguasesse. Salvador. 03 de abril de 2014.

15 Entrevista realizada com Cícero Rodrigues Franco Lima – Tata Muguanxi. Salvador. 13 de fevereiro de 2014.

16 Nas referências consultadas sobre a trajetória e a memória de Juracy Magalhães, não localizamos nenhuma pista que associasse o interventor a algum líder espiritual afro-brasileiro, e em especial a Manoel Bernardino da Paixão. Consultamos: Juracy Magalhães. “Defendendo o meu governo”. Bahia, Tipografia Naval, 1934; “Exposição feita ao Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas relativa ao exercício de 1936”. Bahia: Imprensa Oficial do Estado, 1937; Minha vida pública na Bahia. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1957; Minhas memórias provisórias. (depoimento prestado ao CPDOC: Alzira Alves Abreu (coord.), Eduardo Raposo, Paulo César Farah. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982.

17 Id. ver entrevista, 2016.

18 O sacerdote do Bate Folha não era letrado, pelo menos até essa data, o que nos leva a acreditar que o texto publicado advenha de uma entrevista concedida a Edison Carneiro. Vale a pena reconhecer o esforço acadêmico de Carneiro nessa publicação. Ver: Manuel Bernardino da Paixão. “Ligeira explicação sobre a nação Congo”. In: O negro no Brasil. Trabalhos apresentados no 2º Congresso Afro-brasileiro. Salvador: Civilização Brasileira, 1940, p. 349-356.

19 Ver: M. B. da Paixão. op. cit., p. 349-350.

20 Corresponde ao nível da estrutura e/ou da descrição linguística que engloba a morfologia (estudo das formas) e a sintaxe (regras de combinação que regem a formação de frases).

21Conforme Livro de Certidão de Óbito, Livro 26, folha 255, termo 7851, de 18 de abril de 1946. Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais da Penha, Salvador, Bahia.

22 Ver: “Estão de luto os “terreiros” da Bahia. Bernardino do “Bate-Folha”, o chefe de Oxalá, faleceu, sendo o enterro dos mais concorridos”. Jornal A Tarde. 18 abr. 1946, p.02. Grifos nossos.

23 Jornal Diário de Notícias, 19 abr. 1946, p.8.

24 Ver: Certidão passada a pedido, verbal, da Senhora D. Maria Anastácia da Paixão, de peças essenciais do processo de inventário do espólio do falecido Manoel Bernardino da Paixão, lavrado no Juízo da Quarta Vara Civil, da cidade de Salvador, em 29 dez. 1947.

 

REFERÊNCIAS:

 

Jornal A Tarde. “Estão de luto os “terreiros” da Bahia. Bernardino do “Bate-Folha”, o chefe de Oxalá, faleceu, sendo o enterro dos mais concorridos”. Salvador, p.02, 18 abr. 1946.

 

Jornal Diário de Notícias, Salvador, 19 abr.1946, p.8.

 

Jornal Estado da Bahia. “As últimas reuniões do Congresso Afro-brasileiro. As sessões de terça-feira, 19. A homenagem dos congressistas a Nina Rodrigues. Uma festa no Candomblé do Bate Folha”. Salvador, p.2,18 jan. 1937.

 

Jornal Estado da Bahia. “2º Congresso Afro-brasileiro. O encerramento do brilhante certame – As resoluções votadas – A festa de hontem [sic] no Candomblé do Bate Folha”. Salvador, p. 7, 21 jan.1937.

 

Juracy Magalhães. Defendendo o meu governo. Bahia, Tipografia Naval, 1934.

 

Juracy Magalhães. Exposição feita ao Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas relativa ao exercício de 1936. Bahia: Imprensa Oficial do Estado, 1937.

 

Juracy Magalhães. Minha vida pública na Bahia. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1957.

 

Juracy Magalhães. Minhas memórias provisórias. (depoimento prestado ao CPDOC: Alzira Alves Abreu (coord.), Eduardo Raposo, Paulo César Farah. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1982.

 

B. da Paixão. Ligeira explicação sobre a nação Congo. In: O negro no Brasil. Trabalhos apresentados no 2º. Congresso Afro-brasileiro. Salvador: Civilização Brasileira, 1940, p. 349-356.

 

FONTES DOCUMENTAIS:

 

Certidão passada a pedido, verbal, da Senhora D. Maria Anastácia da Paixão, de peças essenciais do processo de inventário do espólio do falecido Manoel Bernardino da Paixão, lavrado no Juízo da Quarta Vara Civil, da cidade de Salvador, em 29 de dezembro de 1947. Acervo do Terreiro do Bate Folha.

 

Escritura de venda, compra, paga e quitação. 4º Tabelião de Notas-Coronel Affonso Pedreira de Cerqueira, Salvador-BA. Livro nº 79, folhas 32. Em 11 de dezembro de  1916. Acervo do Terreiro do Bate Folha.

 

Livro de Certidão de Óbito, Livro 26, folha 255, termo 7851, de 18 de abril de 1946. Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais da Penha, Salvador, Bahia.

 

Livro de Registro de Batismo da Igreja de Nossa Senhora da Purificação da Vila de Santo Amaro (1888-1901). Microfilme no. 1284794. – Arquivo da Cúria da Arquidiocese de São Salvador – ACASSA.

 

Livro de Registro de Batismo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Rosário da Vila de Cachoeira (1889-1897). Microfilme no. 1284937. Arquivo da Cúria da Arquidiocese de São Salvador – ACASSA.

 

 

DEPOIMENTOS ORAIS:

 

Maria Bernadete Boaventura Costa. Salvador.  20 de março de 2016.

 

Olga Conceição Cruz. Salvador.  03 de abril de 2014.

 

Cícero Rodrigues Franco Lima. Salvador. 13 de fevereiro de 2014.