REVISTA ELETRÔNICA DA BIBLIOTECA VIRTUAL CONSUELO PONDÉ – N.2 OUT DE 2015. ISSN 2525-295X

REPORTAGEM

 

 

Inovação, tecnologias e novas abordagens no ensino e aprendizado da História

 

Por Thiago Souza

 

 

Quando o professor de História, Urano Andrade, criou o blog Pesquisando a História, em 2009, ele tinha em mente dois objetivos: divulgar suas próprias pesquisas e democratizar o acesso a documentações históricas. Para tanto, ele disponibilizou centenas de documentos que versam sobre o Brasil colonial e imperial. A variedade de arquivos engloba desde relatórios, autos e lista de medicamentos, até – literalmente – receita de bolo do século XIX. Ao longo destes seis anos no ar, o blog do professor Urano já foi visitado por quase 480 mil pessoas.

A estatística mostra a força que a internet possui nos dias atuais como fonte de informação e conhecimento da História, além de ser uma eficaz ferramenta de interação entre pesquisadores que buscam conteúdos específicos. No que se refere ao campo da aprendizagem e educação, seja nas tradicionais disciplinas escolares ou acadêmicas, a potencialidade da internet permite acesso a incontáveis bancos de dados que podem favorecer a absorção do ensino.

 

Tecnologia – A entrada das novas tecnologias facilita a criação de projetos pedagógicos, trocas interindividuais e comunicação à distância, redefinindo o relacionamento estabelecido entre aluno e professor. No entanto, o uso dessas ferramentas em instituições de ensino espalhadas pelo país ainda é um desafio para muitos professores. As dificuldades na utilização das tecnologias educacionais são diversas, podendo ser em relação à falta de recursos tecnológicos de profissionais qualificados ou da reestruturação de políticas educacionais.

 

 

 

Para o Doutor em Comunicação (USP) e professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, Nelson Pretto, o atual sistema educacional encontra certas “dificuldades em compreender a tecnologia como linguagem contemporânea”.“A escola não é lugar de consumir educação e sim de produzir. Temos dificuldades de trazer algo revolucionário. A grande questão é compreender como vemos essas novas tecnologias. O processo de aprendizagem se dá a partir do momento em que o aluno se relaciona com a tecnologia, através de um professor qualificado, para obter o fortalecimento da perspectiva autoral”, ressalta.

 

 

O professor de História da África na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Juvenal de Carvalho, compreendeu esta nova demanda e em 2012 criou o blog Conversas sobre as Áfricas. Com ele, Juvenal desenvolve, junto a um grupo de 11 alunos, um conjunto de ações que visam divulgar pesquisas, artigos e exposição de documentos com temáticas que envolvem a história e a cultura de países do continente africano. O blog tem links para publicações sobre a temática, centros de pesquisa especializados, vídeos e arquivos digitais – tudo à disposição de estudantes e pesquisadores. Segundo o professor, os estudantes têm participação direta nos conteúdos do blog, que também conta com a colaboração de outros professores e até de um historiador angolano, na elaboração de artigos. “A ideia mesmo é ter um espaço de discussão e troca de opiniões”, frisa Juvenal.

 

 

Fábio Santos Barreto, 34 anos, foi um dos estudantes que ajudou o professor Juvenal a montar o Conversas sobre as Áfricas. Ele se formou no primeiro semestre de 2014 e contou com acervos disponíveis na internet para desenvolver uma pesquisa no decorrer de sua graduação. “A pesquisa era sobre o processo de colonização em Guiné Bissau, país africano. Como não tive condições de viajar até o local, fiz todo o meu trabalho baseado em documentos que encontrei nos sites Biblioteca Mundial e Memórias de África e do Ocidente”, conta.

Interação – Através dos multimeios oferecidos pela internet é possível expandir o ensino para todas as faixas etárias de alunos, a partir de uma linguagem lúdica e interativa. Um exemplo disso é o site Detetives do Passado, desenvolvido há seis anos pelas historiadoras e professoras do Departamento de História da UNIRIO, Keila Grinberg e Anita Almeida.

 

 

 

 

Detetive do Passado.

 

 

O site foi criado no intuito de possibilitar a transposição entre o conhecimento produzido na universidade e o construído na escola, fornecendo instrumentos para que os alunos sejam capazes de observar, analisar, classificar e construir conceitos. Nele, há um jogo voltado para o público infanto-juvenil que simula a função de detetive para desvendar várias histórias a respeito da Escravidão no Brasil no século XIX.Cada pedaço da História é um caso a ser resolvido pelo “detetive”, individual ou coletivamente, com tarefas assinaladas, passo a passo e a solução do mesmo, com referências bibliográficas e dicas de metodologia para professores. A ideia é “construir conceitos e adotar novos comportamentos”.

 

Para a idealizadora, Anita Almeida, as novas tecnologias são aliadas, mas, sozinhas, elas não conseguem “consertar todos os problemas” do processo de aprendizado. “A questão da tecnologia é você aprender a ter novos critérios metodológicos para saber usá-la de maneira efetiva, até porque a quantidade de informação é muito extensa. Tem que haver alguém com especialização adequada para guiar o estudante”. O projeto foi criado no Núcleo de Documentação, História e Memória (NUMEM) da Escola de História da UNIRIO.

 

O professor Juvenal de Carvalho explica que a internet é uma ferramenta que pode dinamizar o trabalho do docente, mas muitas vezes faltam condições estruturais e compreensão, além de disposição para inovar. “Ainda há muita resistência”, opina Juvenal.Para o Doutor Nelson Pretto, é necessário pensar nestas ferramentas de forma ampla. “Temos que entender a tecnologia como elementos de produção, elementos de linguagem, ou vamos reduzí-las a equipamentos pedagógicos”, afirmou.

 

Já o professor Urano Andrade aponta o campo da História como um dos mais inventivos nesta área.  “Hoje eu posso dizer que a área mais privilegiada com essas novas tecnologias é o ensino e pesquisa de História, pois além de blogs, que professores e profissionais que atuam na área utilizam para disseminar acervos, mapas e documentos, as bibliotecas digitais também desempenham esse papel de forma singular, a exemplo da Biblioteca Nacional. Os professores em sala de aula podem recorrer, através de tablets e notebooks, aos mais variados contextos históricos de qualquer época, por causa da acessibilidade que esses recursos oferecem”, aponta Urano Andrade.

 

Para Nelson Pretto, uma nova lógica deve ser pensada. “Se continuarmos com um sistema educacional nas mesmas lógicas de hoje, não vai adiantar adaptar as tecnologias. O problema está nas politicas educacionais, o que perpassa por um professor fortalecido e transformação curricular e não centrada num elenco de disciplinas e temas que caem de cima para baixo”, conclui.

 

Conheça abaixo sites e blogs que tem como objetivo a divulgação da história:

 

http://uranohistoria.blogspot.com.br/

 

http://conversasobreasafricas.blogspot.com.br/

 

http://www.numemunirio.org/detetivesdopassado/

 

http://www.senado.gov.br/noticias/jornal/arquivos_jornal/arquivosPdf/encarte_abolicao.pdf

 

http://armazemmemoria.com.br/

 

http://www.arqnet.pt/

 

http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal

 

http://portacurtas.org.br/

 

http://www.projetocompartilhar.org/

 

http://www.libs.uga.edu/darchive/hargrett/maps/colamer.html

 

http://www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro/

 

http://consorcio.bn.br/escravos/galerias.html

 

http://www.cyclopaedia.org/virtual/bookbinding.html

 

http://www.djoaovi.com.br/journal.php?id=gazeta_de_cordeiro